O mercado internacional de soja iniciou a semana com forte movimento de valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), revertendo a pressão baixista observada na primeira quinzena de agosto. Conforme análise da Granoeste Corretora, os primeiros contratos acumularam ganhos entre 21 e 23 cents na sessão anterior e mantiveram o viés de alta, com o vencimento de setembro/26 avançando 10 pontos e operando ao redor de US$ 12,10 por bushel.
A sustentação das cotações reflete o retorno agressivo das compras da China no mercado norte-americano, em volumes superiores às projeções iniciais. Paralelamente, o excesso de umidade em determinadas regiões do Meio-Oeste dos Estados Unidos e a deterioração nos índices agronômicos levaram investidores e indústrias consumidoras a acelerarem posições no físico e no mercado futuro.
Soja abre a semana em alta em Chicago com demanda firme e cautela nos EUA
Demanda global firme e estoques em queda sustentam preços da soja
No relatório semanal de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 61% das lavouras de soja foram classificadas em condições boas ou excelentes (recuo de 1 ponto percentual na semana), 29% em estado regular e 10% em condições ruins ou péssimas — contra 68%, 24% e 8%, respectivamente, no mesmo período de 2025. Em termos de desenvolvimento fenológico, 96% das plantas já floresceram (frente a 94% em 2025) e 85% encontram-se em fase de formação de vagens (ante 80% no ciclo anterior).
A confirmação de perdas produtivas ganha força com as primeiras medições do Crop Tour da Pro Farmer:
Dakota do Sul (rota oeste): contagem de vagens cerca de 20% inferior à registrada no ano passado;
Ohio (rota leste): redução de aproximadamente 7% no número de vagens frente à temporada anterior.
A expedição de campo será finalizada nesta quinta-feira, quando os dados consolidados das duas rotas serão reunidos para a divulgação da estimativa oficial de produção para a safra norte-americana.
Mercado brasileiro: cautela do produtor segura oferta e firma valores físicos
No cenário doméstico, o fluxo de negócios no mercado disponível segue travado pela baixa disposição de venda dos agricultores, a despeito do volume estocado nos armazéns. Conforme aponta a Granoeste Corretora, os produtores nacionais optam pela retenção de lotes diante de fatores estratégicos: a definição das eleições no Brasil, a colheita norte-americana ainda pendente, a aproximação da entressafra e o risco de atraso na regularização das chuvas para o plantio da safra 2026/27 no Brasil Central.
Nos terminais portuários, os prêmios de exportação mantêm patamares firmes:
Spot: indicações entre +145 e +160 cents/bushel;
Outubro/26: indicados na faixa de +150 a +165 cents/bushel;
Novembro/26: operando entre +145 e +165 cents/bushel.
No mercado físico regional, as ordens de compra no Oeste do Paraná oscilam entre R$ 141,00 e R$ 144,00 por saca, enquanto no porto de Paranaguá as indicações ficam na faixa de R$ 152,00 a R$ 155,00 por saca, variando de acordo com os prazos de liquidação financeira, período e localidade de carregamento.
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