O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu o relatório conclusivo elaborado pelo Grupo de Trabalho (GT) do El Niño. Entregue ao ministro André de Paula, o documento reúne diretrizes técnicas, agronômicas e financeiras voltadas a blindar a produção agropecuária nacional contra as oscilações térmicas e hídricas severas provocadas pelo fenômeno meteorológico, estruturando uma resposta coordenada para proteger a renda do produtor rural.
A estratégia traçada pelo comitê — instituído pela Portaria nº 928/2026 e integrado por representantes de cinco secretarias da pasta, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Embrapa — organiza a atuação governamental em três horizontes cronológicos: ações emergenciais para a safra de verão 2026/2027; diretrizes de médio prazo para os ciclos subsequentes; e medidas estruturantes de caráter contínuo.
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O ministro André de Paula enfatizou a necessidade de consolidar mecanismos perenes de defesa agroclimática.
“Essa é uma questão que não é mais excepcional e veio para ficar. Precisamos de planejamento, dotando o Ministério de instrumentos permanentes para enfrentar as situações decorrentes desse cenário”, afirmou o ministro.
Entre as prioridades imediatas para a temporada 2026/2027 está o aporte tempestivo de recursos no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). A meta é garantir que as apólices estejam contratadas e disponíveis aos produtores antes da intensificação das plantadeiras no campo. No pilar agronômico, a Embrapa catalogou 163 recomendações tecnológicas regionalizadas focadas no manejo de solo, conservação de umidade e cultivares adaptadas para minimizar quebras produtivas.
Mitigação contínua, painel integrado e revisão do Zarc
Para o médio e longo prazo, o relatório preconiza o fortalecimento de programas de sustentabilidade produtiva. O coordenador do GT, Bruno Leite, destacou a urgência de acelerar a execução do Plano ABC+ e do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (Caminho Verde). A expansão dessas frentes busca garantir assistência técnica direta e linhas de financiamento atreladas a práticas de maior resiliência hídrica e biológica.
O documento propõe ainda o aperfeiçoamento das ferramentas do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), integrando os calendários agronômicos às Boas Práticas Agrícolas (BPAs), às regras do crédito de custeio e aos mecanismos do Proagro.
Na esfera institucional perene, o plano prevê a criação de um núcleo dedicado à gestão de riscos climáticos extremos dentro da estrutura do Mapa. O órgão será sustentado por um painel agroclimático integrado, responsável por consolidar dados meteorológicos, emitir boletins de alerta precoce e articular planos de contingência em cooperação direta com as secretarias estaduais de agricultura.
O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, reforçou que a consolidação dessas políticas de adaptação e mitigação é o único caminho viável para manter a estabilidade do abastecimento alimentar e a competitividade das exportações do agro brasileiro frente à volatilidade climática global.
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