A disponibilidade de mandioca para o abastecimento das indústrias de fécula e farinheiras seguiu em trajetória de queda ao longo do mês de julho. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o encolhimento da oferta foi provocado pela retração natural das áreas de segundo ciclo (mais maduras e com maior teor de amido) e pela baixa atratividade financeira para a colheita adiantada de lavouras mais novas.
Diante do volume menor disponibilizado na porteira, a disputa entre as indústrias processadoras para garantir a matéria-prima se intensificou, dando novo impulso de alta aos preços cobrados pela tonelada da raiz.
Oferta restrita de mandioca sustenta alta e reduz produção de derivados
Preço da mandioca atinge maior média semanal desde maio
Além do fator oferta, o comportamento dos mandiocultores no campo contribuiu para o travamento das entregas. Em diversas praças de produção, a prioridade absoluta dos agricultores esteve voltada para o avanço dos trabalhos de plantio da nova safra. Em paralelo, a perspectiva de novos reajustes positivos nas cotações fez com que muitos produtores optassem por postergar o arranquio e a comercialização dos lotes remanescentes.
Tendência de preços firmes no curto prazo
Apesar de o calendário de plantio já se encontrar em fase adiantada nas principais regiões produtoras, os pesquisadores do Cepea avaliam que a atividade de implantação da cultura continuará exigindo a atenção dos agricultores nas próximas semanas.
Nesse contexto, a oferta de mandioca no mercado disponível deve continuar crescendo em um ritmo inferior à necessidade diária de moagem das indústrias. Esse descompasso entre a demanda aquecida das fecularias e a entrega cadenciada do campo tende a manter o suporte e a sustentação para os preços da raiz de mandioca no curto e médio prazo.
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