A disponibilidade de mandioca para processamento industrial permanece restrita nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O excesso de precipitações registrado nos últimos dias prejudicou as operações de colheita no campo, criando um descompasso entre o volume de raízes disponibilizado e a demanda ativa das plantas industriais, cenário que sustenta a trajetória de alta nas cotações da matéria-prima.
De acordo com o levantamento dos pesquisadores, as áreas de segundo ciclo (acima de 18 meses) estão em fase final de esgotamento. Ao mesmo tempo, os mandiocultores mantêm baixo interesse em iniciar o arranque precoce em talhões de primeiro ciclo, com até 12 meses de cultivo.
Preço da mandioca sobe com oferta curta enquanto fecularias retraem compras
Oferta curta de raiz sustenta alta da mandioca em agosto
A postura defensiva do produtor em relação às áreas mais jovens é explicada por fatores técnicos e econômicos:
Rentabilidade comprometida: A colheita prematura reduz a produtividade total da lavoura por hectare;
Queda no teor de amido: Raízes colhidas sob condições de umidade excessiva e menor idade fisiológica apresentam concentração reduzida de fécula;
Decisão de entrega: A remuneração industrial atrelada à pesagem de amido força o agricultor a reter o produto na terra à espera de recuperação biológica da planta.
O comportamento sazonal do setor fabril, associado ao aperto estrutural de oferta, indica que o mercado operará com disponibilidade reduzida nas próximas semanas. Conforme analistas do Cepea, essa combinação de fatores climáticos e de calendário agrícola deve manter os preços da raiz firmes e com viés positivo pelo menos até meados de novembro.
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