As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 15,2 bilhões em agosto de 2026, registrando avanço de 6,7% na comparação com o mesmo mês de 2025 e retração de 6,8% frente a julho, de acordo com o relatório Radar Agro, assinado pela Consultoria Agro do Itaú BBA com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No acumulado dos primeiros oito meses do ano, as receitas das vendas externas alcançam US$ 118,5 bilhões, expansão de 6,1% sobre o resultado de igual período do ano passado. O resultado mensal refletiu um cenário de compensação, onde os maiores volumes e receitas obtidos pelo complexo soja, carne de frango, café e algodão neutralizaram as baixas no açúcar, milho e carne bovina in natura.
No complexo soja, os embarques do grão totalizaram 9,8 milhões de toneladas em agosto, alta anual de 5% ancorada na demanda internacional aquecida e em prêmios portuários sustentados no Brasil, com o preço médio subindo 8% no comparativo interanual, para US$ 449,60 por tonelada. No farelo, o volume exportado avançou 23% frente a agosto de 2025, para 2,3 milhões de toneladas, com cotação média de US$ 366,20 por tonelada (+10%). Já o óleo de soja somou 207 mil toneladas embarcadas (+31% anual), sustentado pelo mercado externo de biocombustíveis e alcançando valor médio de US$ 1.206,80 por tonelada (+10%).
Exportações do agro sobem 6,7% e somam US$ 15,18 bilhões
Exportações do Nordeste batem US$ 3 bilhões em agosto
Proteínas e fibras mostram divergência entre mercados
A dinâmica das carnes revelou ritmos distintos entre os segmentos analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA:
Carne de frango in natura: Os embarques somaram 428 mil toneladas em agosto (+24% sobre agosto de 2025), refletindo a normalização dos fluxos após as barreiras sanitárias por gripe aviária do ano anterior, com preço médio em US$ 2.051,10 por tonelada (+12%);
Carne bovina in natura: O volume recuou 27% no comparativo anual, totalizando 196 mil toneladas, reflexo direto da redução nas compras da China, embora o preço médio por tonelada tenha valorizado 10%, atingindo US$ 6.165,70;
Carne suína in natura: As vendas externas avançaram 7% na base anual, com 115 mil toneladas, mas o preço médio cedeu 9%, fixado em US$ 2.336,00 por tonelada;
Algodão e trigo: Os embarques de algodão em pluma cresceram 37% em relação a agosto de 2025 (106 mil toneladas), enquanto o trigo registrou avanço anual de 23% em volume.
Menor oferta de cana e concorrência externa freiam açúcar e milho
No setor sucroenergético, as exportações de açúcar VHP recuaram 33% em volume frente a agosto de 2025, totalizando 2,2 milhões de toneladas, pressionadas pela menor disponibilidade de produto no Centro-Sul decorrente da quebra de moagem e menor concentração de Açúcar Total Recuperável (ATR). O preço médio do VHP caiu 14% no período, fechando em US$ 339,10 por tonelada. Em sentido oposto, o etanol avançou 37% no volume anual exportado (214 mil m³), porém com recuo de 11% no preço médio (US$ 501,10 por m³).
No mercado de milho, o Brasil exportou 4,6 milhões de toneladas no mês, retração de 32% em relação a agosto do ano anterior. A desaceleração decorreu do aumento da concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no comércio global e da menor competitividade do cereal nacional nos portos, mesmo com a cotação média registrando alta de 4% no período, a US$ 215,50 por tonelada. No acumulado de janeiro a agosto, as exportações brasileiras de milho acumulam 14,5 milhões de toneladas, recuo de 8% frente ao ciclo prévio.
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