O mercado futuro da soja abriu a sessão desta quarta-feira em terreno positivo na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), registrando ganhos médios de 4 pontos no contrato com vencimento em novembro, cotado a US$ 12,88 por bushel, de acordo com informações apuradas no boletim matinal da Granoeste Corretora. O avanço técnico representa um respiro após as perdas observadas na sessão anterior, quando o grão recuou entre 4 e 6 cents sob a pressão dos dados do último relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontou elevação na colheita norte-americana de soja e milho.
Conforme a Granoeste Corretora, a sustentação verificada nesta manhã decorre fundamentalmente da volta dos investidores e fundos à ponta compradora, aproveitando os patamares mais baixos de preços.
Soja opera em leve queda com safra recorde nos EUA
Exportação recorde de grão e farelo segura cotações da soja
No front da demanda, a China concretizou recentemente a compra de cerca de 500 mil toneladas de soja de origem norte-americana. A operação chama a atenção por ocorrer mesmo com a tarifa de importação de 10% ainda em vigor, marcando a primeira negociação relevante da oleaginosa entre as partes após a reunião bilateral de cúpula entre os presidentes dos Estados Unidos e da China.
Em termos de movimentação mensal, os desembarques chineses totalizaram 11,9 milhões de toneladas de soja em setembro — uma retração de quase 8% frente ao registrado em setembro de 2025 —, elevando o volume acumulado pelo país asiático no ano para 86,1 milhões de toneladas. No campo norte-americano, a colheita atinge 46% da área projetada, ante a média histórica de 50%, refletindo um avanço expressivo de 21 pontos percentuais em apenas uma semana de trabalhos contínuos.
Embarques firmes nos portos e ritmo lento na porteira
No cenário nacional, as exportações mantêm ritmo acelerado. Projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) indicam que o Brasil deverá despachar pelo menos 6,5 milhões de toneladas de soja durante o mês de outubro, sucedendo as 7,4 milhões de toneladas embarcadas em setembro. Com base nos dados oficiais da Secex, o fluxo exportador acumulado da atual estação atinge a marca histórica de 98,3 milhões de toneladas, superando com folga as 92,8 milhões de toneladas movimentadas no mesmo intervalo do ciclo anterior.
Apesar dos bons números portuários, a comercialização no mercado físico do interior do país permanece travada. A liquidez é limitada pelo distanciamento acentuado entre as pedidas dos agricultores nos poucos lotes disponíveis e as propostas dos compradores. A atenção do produtor rural está voltada quase que exclusivamente às semeadeiras e à evolução da nova safra, acompanhando com rigor as variações e irregularidades nas chuvas.
No ambiente de exportação, os prêmios portuários são indicados entre 125 e 145 pontos no spot; para embarque em novembro, oscilam de 145 a 160 pontos, mantendo-se na faixa de 140 a 160 pontos para as posições de dezembro.
Nas praças regionais, as indicações de compra no Oeste do Paraná seguem dispersas, variando de R$ 145,00 a R$ 148,00 por saca, a depender do local de retirada e do prazo de liquidação financeira. No Porto de Paranaguá, a referência oscila na faixa de R$ 156,00 a R$ 158,00 por saca, com os valores condicionados aos prazos de pagamento acordados entre as partes.
