As cotações do algodão em pluma continuam registrando trajetória de baixa no mercado físico brasileiro neste início de outubro, aprofundando o movimento descendente já apurado ao longo de setembro. Conforme dados apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a pressão vendedora reflete a perda de sustentação dos preços nas bolsas internacionais, o desaquecimento na procura por novos lotes e a decisão das fiações e indústrias de focar no cumprimento estrito de contratos firmados anteriormente. Apesar desse recuo contínuo, os valores praticados no balcão doméstico ainda permanecem em patamar superior à paridade de exportação.
Pesquisadores do Cepea explicam que parcela expressiva do setor industrial tem priorizado o consumo da fibra já negociada a termo ou o escoamento de estoques próprios de passagem, evitando ingressar no mercado de curto prazo para absorver novos volumes.
Fibras naturais abrem espaço para volta do algodão no Paraná
Atraso no beneficiamento eleva risco nos contratos de algodão
Ao mesmo tempo, as poucas tradings e indústrias que buscam matéria-prima no mercado spot tentam emplacar ordens de compra em níveis significativamente inferiores às pedidas dos cotonicultores e cooperativas. Esse distanciamento nas margens trava o fluxo de comercialização entre as partes, reduz a liquidez dos negócios e consolida o viés de baixa sobre as cotações médias apuradas pelo indicador.
