Para assegurar uma brotação uniforme e vigorosa da cana-de-açúcar, as práticas agronômicas devem ser priorizadas logo no plantio, com foco em ferramentas que estimulem o enraizamento e preparem a planta contra variações climáticas. Em um momento de mercado aquecido e perspectivas favoráveis para a cadeia sucroenergética, o investimento técnico na fase inicial é essencial para atingir o teto produtivo do canavial.
O engenheiro agrônomo Alexandre Barreto aponta que a consolidação de um sistema radicular profundo e denso é determinante para a produtividade e a longevidade dos cortes seguintes:
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"A combinação de bioestimulantes, nutrientes e manejo adequado cria as condições para uma brotação mais uniforme, maior perfilhamento e plantas mais preparadas para enfrentar períodos de estresse", avalia.
No manejo a campo, o uso de bioestimulantes à base de extratos de algas marinhas (Kappaphycus alvarezii, Durvillaea potatorum e Ascophyllum nodosum) tem ganhado espaço por fornecer fitormônios naturais, como auxinas, citocininas e giberelinas. Esses compostos atuam na velocidade de germinação, na emissão de perfilhos e na tolerância a intempéries hídricas, podendo ser incorporados no fundo do sulco ou na manutenção de soqueiras.
A estratégia ganha reforço com a aplicação de fontes de boro estabilizadas com substâncias húmicas, nutriente fundamental para a divisão celular e o alongamento das raízes, com formulações que ajudam a conter perdas por lixiviação. O manejo inicial ainda é complementado pelo aporte de aminoácidos de rápida assimilação para aliviar estresses fisiológicos e a correção de micronutrientes no solo, além de integrar-se ao uso localizado de vinhaça para alavancar o arranque vegetativo.
O foco técnico na produtividade coincide com uma oportunidade comercial no mercado global:
"Devido ao El Niño, a cana não terá a produção esperada na Índia, o que vai melhorar os preços para o Brasil. Portanto, é hora de investir nos canaviais porque a Índia não vai produzir tanto açúcar", pontua Barreto.
Conab projeta safra nacional em 705,2 milhões de toneladas
O cenário positivo no campo é confirmado pelos números do 2º Levantamento da Safra 2026/27, publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A colheita brasileira total de cana-de-açúcar está estimada em 705,2 milhões de toneladas, crescimento de 4,7% na comparação com a safra 2025/26.
A projeção resulta do avanço de 1,1% na área colhida, estimada em 9,1 milhões de hectares, somado ao ganho de 3,6% no rendimento agrícola médio, calculado em 77.905 kg/ha, impulsionado pela regularidade das chuvas no início do ciclo.
O balanço regional indica expansão nos principais polos produtores:
Sudeste: Principal polo do país, tem colheita projetada em 451,4 milhões de toneladas, abrangendo 5,6 milhões de hectares (+0,4%) e rendimento médio de 80.872 kg/ha (+4,6%). Somente o estado de São Paulo deve responder por 362,8 milhões de toneladas;
Centro-Oeste: Produção estimada em 157,0 milhões de toneladas (+4,6% frente ao ciclo anterior), com área de 2,0 milhões de hectares e produtividade média de 78.755 kg/ha;
Nordeste: Expectativa de 55,5 milhões de toneladas (+4,1%), com área de 923,5 mil hectares e rendimento de 60.037 kg/ha (+0,3%);
Sul e Norte: Região Sul deve registrar 37,3 milhões de toneladas, enquanto o Norte projeta 4,1 milhões de toneladas, ambas sustentadas por aumentos em área e produtividade.
