As importações brasileiras de trigo registraram retração acumulada ao longo dos últimos 12 meses. Ao mesmo tempo, o avanço dos trabalhos de colheita na Região Sul — principal polo tritícola nacional — mantém a indústria e os produtores sob alerta contínuo em relação aos índices de produtividade e, sobretudo, ao padrão qualitativo do grão colhido. Conforme avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta enxuta de produto que atenda aos requisitos técnicos exigidos pelas moageiras pode forçar a retomada ou a ampliação das compras externas nos próximos meses.
De acordo com analistas e colaboradores consultados pelo Cepea, as oscilações climáticas adversas têm prejudicado o desenvolvimento das lavouras no Rio Grande do Sul, onde o excesso de umidade eleva o risco de incidência fúngica e perdas de potencial produtivo.
Trigo paulista avança em padrão mas sofre perdas com clima
Chuva quebra qualidade do trigo no Sul e eleva importação
No Paraná, onde a colheita se encontra em estágio mais avançado, o principal obstáculo concentra-se na dificuldade de obtenção de trigo Tipo 1, referência de maior valor comercial destinada à panificação. Essa escassez de lotes que cumpram os parâmetros de peso hectolítrico (PH) e força de glúten tem provocado alterações diretas nos contratos previamente firmados entre cooperativas, cerealistas e moinhos, resultando no adiamento de entregas ou na renegociação de padrões e descontos entre as partes.
