A Aprosoja Brasil, em ação conjunta com as 16 representações estaduais da entidade, protocolou uma carta aberta direcionada aos candidatos à Presidência da República expondo o grave cenário de endividamento enfrentado pelos produtores e cobrando medidas estruturais imediatas para blindar o setor produtivo.
No documento, a entidade argumenta que, embora a colheita nacional de soja tenha atingido o marco histórico de 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 e o agronegócio represente 48,5% das exportações totais brasileiras, os custos elevados de implantação somados a severas quebras climáticas regionais impuseram margens negativas a uma parcela expressiva dos agricultores. Em agosto de 2026, a taxa de inadimplência no crédito rural alcançou a marca de 9,7%, concentrando um volume alarmante de R$ 205 bilhões em crédito problemático.
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Diante desse quadro, a entidade sustenta que a sustentação da liderança agrícola nacional exige soluções duradouras. A Aprosoja defende expressamente que a resposta do próximo governo não deve se restringir a sucessivas prorrogações ou renegociações de dívidas, mas focar em mecanismos preventivos de mitigação de riscos. O ponto central reivindicado é a garantia de um orçamento plurianual estável e previsível para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Reforma tributária, mercado de insumos e barreiras externas
Na esfera fiscal, a associação manifesta preocupação com as regras de regulamentação da Reforma Tributária. A Aprosoja propõe o diferimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nas operações realizadas pelo produtor para o elo adquirente (indústrias e tradings). A medida busca evitar a asfixia do capital de giro e o represamento crônico de créditos financeiros dentro da cadeia.
O texto também pede ações governamentais contra a concentração excessiva de mercado nas cadeias de suprimento de insumos e nos canais de comercialização. No âmbito ambiental, a entidade reitera o cumprimento das exigências do Código Florestal e demanda uma postura firme da diplomacia brasileira contra barreiras comerciais protecionistas impostas por blocos econômicos estrangeiros com base em critérios unilaterais de sustentabilidade.
Por fim, o manifesto lista prioridades logísticas indispensáveis para manter a competitividade do grão brasileiro, exigindo a viabilização de corredores ferroviários estratégicos — com destaque para a Ferrogrão e a FICO (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste) —, incentivos econômicos à ampliação da armazenagem estática própria e isonomia fiscal para o setor de biocombustíveis frente aos incentivos direcionados a automóveis elétricos importados.
