O custo com a alimentação dos bovinos confinados passou a representar menos da metade das arrobas produzidas no Sudeste durante o mês de julho. De acordo com o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), apenas 47,9% das 7,59 arrobas produzidas por animal foram necessárias para cobrir todas as despesas nutricionais do ciclo de 109 dias. O movimento impulsionou a relação de troca entre o ICAP e o boi gordo ao maior patamar de toda a série histórica: uma única arroba passou a custear 29,97 dias de alimentação, cobrindo praticamente um mês de cocho.
A melhora decorre da conjugação entre a desvalorização dos insumos e a firmeza nos preços da pecuária. Enquanto o ICAP do Sudeste recuou 2,63% (para R$ 11,48 por cabeça/dia) — menor nível desde agosto de 2024 —, a arroba do boi gordo na praça física avançou 3,77%, cotada a R$ 344,00. Com isso, apenas 3,64 arrobas pagam a dieta completa, liberando 52,1% do ganho de peso (3,95 arrobas) para amortizar custos fixos e compor o resultado do confinador.
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No Centro-Oeste, o indicador diário avançou 1,63%, para R$ 13,12 por cabeça/dia. A alta não refletiu encarecimento dos ingredientes, mas sim o aumento no consumo de matéria seca (+2,11%) e ajustes nas fases iniciais de adaptação (+3,30%) e crescimento (+1,19%), ao passo que o custo da dieta de terminação cedeu 1,05% e o milho recuou 9,1%.
Lucro por cabeça supera R$ 1,1 mil nas duas regiões
A lucratividade da arroba produzida atingiu os maiores patamares desde março nas duas regiões, consolidando um empate técnico na comercialização do boi físico balcão:
Sudeste: lucro médio de R$ 1.145,71 por cabeça (+13,73%), com custo da arroba produzida em R$ 193,05 (-3,13%) e boi a R$ 344,00.
Centro-Oeste: lucro médio de R$ 1.138,30 por cabeça (+8,08%), com custo da arroba produzida caindo para R$ 180,62 (-3,08%) e arroba física a R$ 321,50.
No segmento de exportação com premiação para o Boi China, a liderança inverteu-se em favor do Centro-Oeste, que alcançou margem de R$ 1.206,98 por cabeça, frente a R$ 1.191,25 no Sudeste. O cálculo reflete o ganho exclusivo sobre o peso produzido no confinamento, desconsiderando o ágio de compra do boi magro.
Comportamento trimestral dos insumos por região
No Centro-Oeste, o custo da dieta de terminação encerrou julho 3,13% abaixo da média trimestral (maio a julho), puxado pela colheita do milho safrinha e alívio nos volumosos: os alimentos energéticos recuaram 7,44% (com destaque para milho grão seco a -17,3% e casca de soja a -6,4%), os volumosos cederam 9,88% (silagem de milho a -24,3% e casca de algodão a -23,6%), enquanto os proteicos oscilaram -0,76% e outros itens subiram 7,26%.
No Sudeste, a dieta de terminação ficou 4,91% inferior à média trimestral, impulsionada pelo recuo de 8,71% nos volumosos devido à ampla oferta e moagem de bagaço de cana pela indústria sucroenergética. Os alimentos energéticos subiram 1,32%, os proteicos avançaram 0,41% — com o caroço de algodão (-20,3%) compensando as altas do farelo de amendoim (+22,0%) e da ureia (+10,3%) —, enquanto outros insumos caíram 28,64%.
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