A decisão da União Europeia de interromper as importações de determinados alimentos de origem animal provenientes do Brasil — incluindo carne bovina, suína, ovos e pescado — acendeu um alerta estrutural para a pecuária de corte e a suinocultura nacionais. Embora o bloco econômico tenha mantido a validação dos controles sanitários para carne de frango e mel, o veto imposto a outros segmentos consolidados exige uma resposta imediata das cadeias de proteína quanto à rastreabilidade de rebanhos, sustentabilidade dos processos fabris e adoção de aditivos biológicos nas rações.
A dimensão comercial envolvida amplia a urgência da adaptação sanitária. Apenas no segmento de carne bovina, o mercado consumidor europeu movimenta cifras anuais superiores a US$ 1 bilhão. A determinação das autoridades de Bruxelas concentra exigências na transparência do controle de resíduos, veto categórico ao uso de antimicrobianos com finalidade exclusiva de promoção de crescimento e metas agressivas para a redução sistemática de antibióticos terapêuticos nos plantéis.
Relação de troca entre boi e bezerro atinge pior nível em 5 anos
Especialistas debatem em Goiânia o futuro da pecuária
Brasil tem outubro como prazo fatal para cota de carne na China
Para especialistas da indústria de insumos, o atendimento a esses critérios técnicos não se limita à troca de componentes na fábrica de ração, demandando a reestruturação dos processos de gestão dentro da porteira. O portfólio de soluções substitutivas à base de elementos naturais já conta com ferramentas comerciais consolidadas, como prebióticos, probióticos, enzimas digestivas e minerais orgânicos quelatados, capazes de preservar o desempenho zootécnico sem deixar resíduos químicos nas carcaças.
O diretor para a América Latina da BIOCHEM, Paulo Ricardo Oliveira, avalia que o momento impõe uma virada técnica nos modelos de nutrição animal: "Somente em carne bovina, estamos falando em um mercado comprador superior a US$ 1 bilhão por ano. A UE quer ter segurança sobre nossos processos e proíbe antimicrobianos promotores de crescimento, além de destacar a redução do uso de antibióticos. Nosso papel como fornecedor de proteínas animais é atender às exigências dos clientes, como historicamente temos feito com sucesso. O manejo nutricional tem de ser priorizado e, para isso, é preciso contar com um time de profissionais a campo capacitado, que ajude os produtores a ajustar seus modelos de negócios."
A consolidação desse modelo sanitário requer ainda um alinhamento direto entre fabricantes de tecnologia nutricional, agroindústrias integradoras e pecuaristas independentes. Além do fornecimento de aditivos sustentáveis, a integração técnica entre o time de consultoria agronômica e as equipes de manejo nas fazendas torna-se peça-chave para garantir que os protocolos de biosseguridade atendam aos padrões internacionais e mantenham a competitividade da proteína nacional nos mercados de maior valor agregado.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
