O mercado brasileiro de trigo opera sob crescente apreensão quanto à disponibilidade de lotes com padrão tecnológico adequado para a indústria moageira na safra 2026. A preocupação central dos agentes do setor recai sobre o risco de encolhimento na oferta doméstica de grãos com força de glúten e peso hectolítrico (PH) satisfatórios para a panificação, fator que tende a aprofundar a dependência do país por compras no mercado externo e a pressionar para cima os custos do abastecimento interno.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a baixa liquidez e a retenção de negócios refletem as fortes incertezas agronômicas sobre o desfecho do ciclo no campo. A sucessão de eventos meteorológicos desfavoráveis nas principais regiões produtoras — marcada pelo excesso de umidade durante fases críticas de enchimento de grãos e colheita — compromete diretamente a sanidade vegetal, o que pode acarretar perdas cumulativas tanto no rendimento por hectare quanto na qualidade final da farinha.
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Os pesquisadores do Cepea destacam que esse cenário de retração qualitativa dentro da porteira atua em consonância com o ambiente internacional. A firmeza dos preços do cereal nas bolsas globais encarece o produto importado, especialmente da Argentina e de outros fornecedores tradicionais. A combinação entre menor oferta interna de trigo padrão nobre e custo de reposição elevado no exterior estabelece um piso de sustentação para as cotações no mercado físico brasileiro, mantendo moinhos e produtores cautelosos nas negociações de novos lotes.
