A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) integrou os debates do Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC), sediado em Genebra, na Suíça. Sob o tema central "Impulsionando o Futuro", o evento reuniu lideranças governamentais, organismos multilaterais, setor produtivo privado e meio acadêmico para avaliar as transformações nas cadeias globais de suprimento, a expansão dos serviços no comércio e os impactos da instabilidade internacional sobre o fluxo de mercadorias. A entidade foi representada pela assessora de Relações Internacionais, Isadora Barbosa de Souza, que participou de sessões técnicas, reuniões bilaterais e comitês negociadores.
No painel coordenado pela Organização Mundial dos Agricultores (WFO), os debates concentraram-se nos choques gerados por atritos geopolíticos, eventos climáticos severos, medidas unilaterais de protecionismo e gargalos na infraestrutura de transporte marítimo e terrestre. Ao expor o panorama vivido pelo produtor brasileiro, a representante da CNA ressaltou que as disrupções globais são transferidas de imediato para dentro da porteira:
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Insumos essenciais: Alta acumulada nas cotações internacionais de fertilizantes e defensivos agrícolas;
Custos operacionais: Elevação expressiva nas tarifas de frete rodoviário e marítimo, além do encarecimento da energia elétrica;
Proteção financeira: Prêmios de seguro rural mais elevados e aperto nas taxas de juros do crédito agropecuário global.
Serviços agropecuários e articulação regulatória
Em sessão promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a pauta avançou sobre a dificuldade estatística de precificar e mensurar os serviços integrados à agricultura moderna. Tecnologias como agricultura de precisão, rastreabilidade eletrônica, ferramentas de inteligência artificial, melhoramento genético, certificações socioambientais e consultoria de gestão chegam frequentemente de forma embutida aos produtos primários, ficando ocultas nos registros aduaneiros convencionais.
Na ocasião, a atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) foi detalhada como modelo de qualificação técnica e suporte gerencial continuado para elevar a produtividade e a sustentabilidade no meio rural.
A agenda incluiu ainda uma reunião reservada entre a CNA, o secretariado da OMC e os presidentes dos Comitês de Agricultura e de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS). O foco do diálogo foi monitorar os riscos de instrumentalização política de critérios sanitários por blocos importadores e garantir um ambiente de livre comércio amparado em dados científicos comprovados e estabilidade jurídica multilateral.
Considerado a maior plataforma pública de debates da entidade internacional, o Fórum Público da OMC deste ano reuniu mais de 540 palestrantes distribuídos em 113 painéis temáticos ao longo de sua programação oficial.
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