A iminência de novos impactos climáticos decorrentes do fenômeno El Niño sobre o ciclo produtivo brasileiro impõe um sinal de alerta para a gestão da porteira para dentro. Em um período em que os produtores já enfrentam compressão de margens financeiras, volatilidade nos mercados globais e custos operacionais elevados, a mitigação dos riscos climáticos exige um planejamento que ultrapasse o manejo do solo e contemple a disciplina de fluxo de caixa, comercialização antecipada consciente e instrumentos de proteção financeira.
Em debate promovido no videocast da BB Seguros, economistas e especialistas em agronegócio avaliaram o alcance dessas variáveis sobre a estabilidade das propriedades. O analista de mercado e macroeconomia agrícola Alexandre Mendonça de Barros pontuou que o ganho expressivo de relevância global do Brasil no comércio de grãos na última década amplia o peso de qualquer adversidade regional. Segundo ele, caso os padrões agrometeorológicos se aproximem da severidade observada em 2015, a perda física na produção nacional de soja poderá atingir até 12 milhões de toneladas, considerando o atual patamar produtivo do país.
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Diante do risco climático e da oscilação das cotações em bolsa, especialistas recomendam cinco decisões estratégicas para resguardar a rentabilidade:
Revisão da comercialização futura: Aproveitar eventuais repiques de preço para travar custos de produção, mas sem comprometer volumes excessivos por meio de contratos a termo em regiões de alta vulnerabilidade hídrica, prevenindo riscos de incapacidade física de entrega;
Mapeamento de endividamento e custos: Conhecer minuciosamente o ponto de equilíbrio (breakeven) financeiro e o cronograma de exigibilidade de crédito, permitindo dimensionar com precisão a margem operacional que necessita ser blindada;
Transferência de risco financeiro: Tratar o seguro rural como componente basilar de sustentação do fluxo de caixa, transferindo para o mercado as variáveis incontroláveis pelo agricultor — reflexo direto de um cenário global em que intempéries climáticas geraram US$ 320 bilhões em perdas em 2024, das quais apenas US$ 140 bilhões estavam sob cobertura de apólices;
Calibragem das coberturas: Avaliar as modalidades disponíveis (custeio, produtividade, paramétrico ou proteção patrimonial de maquinários) de acordo com o histórico de rendimento, curvas de nível, tipo de solo e histórico climático de cada microbacia;
Manejo agronômico com base em dados: Aplicar técnicas avançadas de conservação do solo e rotação de culturas, práticas que, conforme levantamentos realizados em parceria com a Embrapa, chegam a representar diferenças de quase 30 sacas por hectare entre áreas vizinhas submetidas à mesma severidade de seca.
A combinação entre leitura apurada do ambiente de negócios, rigor técnico na implantação da lavoura e contratação responsável de mecanismos de garantia de receita surge como a diretriz decisiva para preservar a saúde financeira do agronegócio ao longo do ciclo.
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