O mercado de feijão-preto encerrou o mês de outubro consolidando seu terceiro mês consecutivo de valorização no Brasil. De acordo com monitoramento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, as cotações médias da variedade alcançaram o nível nominal mais expressivo dos últimos dois anos. O movimento foi balizado pela contração na oferta de produto disponível em pleno intervalo de entressafra, contrastando com o comportamento do feijão-carioca, que operou com oscilações pontuais e moderadas ao longo do período.
A sustentação das cotações reflete diretamente os entraves agronômicos e logísticos verificados nas principais regiões de cultivo do Centro-Sul. Pesquisadores do Cepea relatam que as frentes de chuva frequentes registradas no encerramento de outubro prejudicaram o ritmo de colheita no sudoeste paulista, impedindo a entrada das máquinas e retardando o envio de lotes secos para os empacotadores e atacadistas.
Com alta na demanda, preços do feijão avançam no país
Cotações do feijão-preto avançam com oferta restrita
Danos no Paraná e firmeza nas cotações
No Paraná, estado estratégico para a produção de feijão das águas e de transição de inverno, o excesso de umidade causou danos qualitativos aos talhões, afetando o enchimento de vagens e elevando a incidência de grãos manchados. Com a menor disponibilidade de feijão-preto padrão comercial extra nos armazéns, a ponta compradora precisou elevar as ofertas no mercado físico para conseguir fechar negócios.
Enquanto o feijão-carioca mantém um fluxo de negociação mais equilibrado e sem pressões altistas generalizadas, a oferta de feijão-preto deve seguir restrita até o ingresso mais volumoso dos primeiros talhões da safra de verão 2026/27, mantendo as cotações firmes no atacado e nas gôndolas do varejo no curto prazo.
