As cotações do milho no mercado físico brasileiro voltaram a registrar valorização nos últimos dias, encontrando suporte na alta do dólar e no fortalecimento dos valores praticados nos portos exportadores. Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a postura defensiva adotada por parte dos vendedores também colaborou diretamente para a recuperação dos preços, embora o volume total de negócios continue em ritmo moderado.
A sustentação das cotações reflete o comportamento dos produtores, que optaram por restringir a oferta disponível nos balcões em virtude de incertezas macroeconômicas e fiscais, com destaque para as discussões sobre a regulamentação da reforma tributária. Em vez de disponibilizar grandes volumes, parte dos agentes preferiu segurar a comercialização dos estoques remanescentes.
Milho opera a US$ 4,46 em Chicago e dólar sustenta balcão no Brasil
Milho safrinha mais lucrativo do PR lucra R$ 4.672/ha
Compradores limitam operações à necessidade imediata
Do lado da demanda, indústrias consumidoras e cooperativas têm mantido uma estratégia de cautela. De acordo com os pesquisadores do Cepea, os compradores têm evitado a fixação de grandes lotes futuros, concentrando as aquisições exclusivamente em volumes pontuais voltados a suprir as necessidades imediatas de moagem e fabricação de rações.
A postura visa aguardar janelas de oportunidade mais atrativas de preços nas próximas semanas, mantendo a liquidez global do mercado em patamares baixos, mesmo diante do cenário de cotações mais firmes imposto pela paridade de exportação e pelo suporte cambial.
