O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia completou neste domingo (1º) seus primeiros seis meses de aplicação provisória apresentando resultados econômicos expressivos para a balança comercial brasileira. De acordo com levantamento oficial do sistema Agrostat, plataforma de estatísticas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do agronegócio nacional destinadas ao bloco comunitário europeu somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026. A cifra representa um avanço de 14,8% em receita cambial na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em termos físicos, o setor produtivo embarcou 17,74 milhões de toneladas de matérias-primas e itens agroindustrializados rumo aos 27 países-membros da União Europeia nos primeiros cinco meses de vigência prática do tratado — volume 8,1% superior às 16,42 milhões de toneladas registradas de maio a setembro de 2025.
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Na visão do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a resposta do mercado internacional confirma o padrão de excelência dos produtos nacionais: “O crescimento expressivo e a diversidade das exportações para a União Europeia demonstram a competitividade do agronegócio brasileiro, a nossa disposição ao diálogo e a presença cada vez mais forte do setor produtivo no mercado internacional. O Brasil demonstra, mais uma vez, que sua competitividade se sustenta não apenas no volume que produz, mas, sobretudo, na qualidade, na segurança e no atendimento aos mais rigorosos padrões exigidos pelos mercados consumidores”.
Soja consolida liderança; mel, carnes e abacate disparam
O complexo soja (grão, farelo e óleo) manteve o posto de principal esteio das vendas externas para a Europa. O faturamento do segmento passou de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões no intervalo analisado, crescimento de 34,2% em receita e de 20,5% em volume. Apenas a soja em grãos registrou incremento de 49% em divisas e de 35,1% em peso embarcado, enquanto as remessas de farelo de soja avançaram 22,5% em valor.
Contudo, os maiores saltos percentuais vieram de cadeias com forte agregação de valor:
Produtos apícolas (mel): Registrou elevação recorde de 367% em receita gerada.
Carnes: O grupo de proteínas animais saltou 103,5% em valor e 170% em volume físico, subindo de 101 mil para 272 mil toneladas exportadas.
Abacate: Apurou a maior variação individual do período, saltando de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões — alta de 421,2% em receita e de 433,7% em volume.
Óleo de milho bruto: As vendas subiram 266,3% em valor (de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões) e 205,8% em quantidade.
Café e frutas: O café torrado teve salto de 91,6% em divisas (com avanço de 116,5% em tonelagem), o café solúvel avançou 19% em receita, a manga cresceu 31,2% e a maçã registrou ganho de 28,8% em valor exportado. O segmento florestal (madeira e celulose) faturou US$ 1,48 bilhão (+23%).
Cronograma tarifário e superávit comercial
O dinamismo comercial reflete os primeiros desdobramentos da aplicação do Acordo Provisório de Comércio (ITA), assinado em janeiro e em vigor provisório desde 1º de maio de 2026, pelo qual a União Europeia prevê a desgravação tarifária total ou parcial para quase 99% da pauta agrícola brasileira. O café torrado, o café solúvel e o abacate já usufruem de desonerações escalonadas com meta de zeramento tributário em 2030. Cotas preferenciais e reduções graduais também incidem progressivamente sobre carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, milho e sorgo.
No sentido oposto, as compras brasileiras de produtos agroindustriais vindos da UE totalizaram US$ 1,67 bilhão (+3,3% frente a 2025), ancoradas em sucos, azeites, bebidas, pescados e queijos. O saldo comercial bilateral permaneceu amplamente superavitário para o agronegócio do Brasil, alcançando US$ 10,54 bilhões — um salto de 17% sobre o superávit apurado de maio a setembro do ciclo passado.
Rastreabilidade e conformidade socioambiental
Para sustentar a expansão dos negócios em território europeu, os exportadores nacionais direcionam atenção ao cumprimento de salvaguardas fitossanitárias e critérios da legislação ambiental do bloco, com foco no Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Nesse contexto, a Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S), estruturada pelo Mapa, passou a subsidiar as transações internacionais. Em setembro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a Resolução CEC nº 17, formalizando o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE). Emitido digitalmente com lastro em bases de dados públicos, o RASOE comprova a regularidade ambiental, fundiária e trabalhista das fazendas brasileiras, fornecendo segurança jurídica aos importadores europeus e consolidando o protagonismo sustentável do agronegócio do país.
