A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) manifestou posicionamento formal em defesa da universalização das políticas públicas de amparo à canavicultura independente. A entidade reconhece o mérito social e produtivo das medidas conquistadas pelos agricultores da Região Nordeste — a exemplo do Projeto de Lei 5.649/2026, aprovado nesta semana pelo Congresso Nacional, que fixa subvenção direta de R$ 12 por tonelada de cana produzida e entregue no ciclo 2025/2026 —, contudo adverte que a restrição geográfica do benefício ignora a severa crise de rentabilidade que atinge os fornecedores do Centro-Sul.
Segundo a entidade, as particularidades de cada polo agrícola não anulam os gargalos transversais compartilhados pela atividade canavieira independente. No Centro-Sul, maior cinturão produtivo do setor no mundo, o aumento persistente dos custos com insumos e máquinas, aliado à queda nas margens líquidas e ao endividamento crescente, compromete a capacidade financeira dos produtores de investir nos tratos culturais e no replantio anual dos canaviais.
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O cenário em 2026 foi agravado por distúrbios meteorológicos. O excesso de precipitações paralisou as frentes mecanizadas de corte em diversas regiões do Centro-Sul, forçando a interrupção da safra. Como resultado, haverá um volume expressivo de cana bisada — material que permanece no campo para corte apenas no ano seguinte —, impondo um hiato de receita imediata que descapitaliza as propriedades rurais.
Desafios na articulação política em Brasília
A entidade tem participado ativamente de rodadas com líderes partidários e frentes parlamentares ligadas aos estados produtores na tentativa de estender instrumentos de crédito e equalização a todos os canavicultores. No entanto, a ORPLANA relata que as tratativas vêm esbarrando em entraves fiscais e políticos. O Governo Federal alega indisponibilidade orçamentária para a concessão de aportes em abrangência nacional, tese que encontrou eco na liderança da Câmara dos Deputados.
Diante do impasse, a ORPLANA informou que intensificará sua mobilização no Congresso Nacional e nos ministérios da área econômica e produtiva. O objetivo é articular medidas provisórias, renegociações de custeio e novos instrumentos legislativos que resguardem a competitividade dos fornecedores do Centro-Sul.
A liderança institucional faz questão de pontuar que a reivindicação não questiona os avanços obtidos pelos canavicultores nordestinos, mas reivindica isonomia de tratamento para uma categoria que responde por parcela substancial do abastecimento de etanol e açúcar do Brasil. Para a ORPLANA, o produtor que assume os riscos de cultivar a terra deve permanecer no centro das prioridades regulatórias e das tomadas de decisão da política agrícola brasileira.
