Mesmo diante de um ritmo lento nas negociações e da cautela por parte dos empacotadores e compradores finais, os preços do feijão-preto registraram novo avanço nas principais praças produtoras brasileiras ao longo de outubro. No mesmo sentido, o feijão-carioca segue com cotações firmes e sustentadas na ponta da fazenda, refletindo o cenário de oferta estruturalmente restrita no país.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ambas as variedades acumulam valorização expressiva no mercado físico ao produtor no decorrer de 2026. O feijão-preto lidera os ganhos percentuais na porteira ao longo do ano, reagindo a estoques internos reduzidos. Na ponta final da cadeia, no entanto, a dinâmica inverte: nas gôndolas do varejo, o feijão-carioca é o que apresenta a maior alta acumulada do período.
Oferta curta e demanda cautelosa oscilam preço do feijão
Feijão ganha espaço em Goiás mas preço desafia o produtor
Estoques projetados seguem em patamares historicamente baixos
A firmeza nas cotações é sustentada pelo quadro fundamental de abastecimento. Embora as estimativas para o ciclo 2026/27 sinalizem uma recuperação gradual nos volumes colhidos pelo país, os pesquisadores do Cepea destacam que essa melhora estatística não elimina o aperto entre oferta e consumo imediato.
Os estoques de passagem e as reservas nacionais permanecem em patamares baixos, o que impede uma formação expressiva de excedentes e deixa o mercado vulnerável a oscilações. Como o volume estocado segue insuficiente para gerar conforto ao setor empacotador, qualquer necessidade pontual de reposição de lotes de melhor padrão comercial é suficiente para sustentar ou puxar para cima as tabelas de preços no campo.
