Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) trabalham com ligeira alta na manhã desta terça-feira (3), cotados a US$ 12,19 por bushel no vencimento janeiro/2027. O movimento tenta recompor parte do terreno perdido na sessão de ontem (segunda-feira, feriado no Brasil), quando o mercado despencou 17 centavos de dólar nos primeiros vencimentos, de acordo com o boletim conjuntural elaborado pela Granoeste Corretora.
Com essa pressão recente de venda, a oleaginosa amarga o seu momento mais fraco em Chicago desde meados de agosto. Em 20 de setembro, o grão havia alcançado a marca de US$ 13,30 por bushel, valor quase 10% superior às cotações registradas nesta manhã. O recuo expressivo foi precipitado pela conjugação de dois fatores baixistas de peso: o avanço rápido dos trabalhos de campo nos Estados Unidos e a aceleração da semeadura no território brasileiro.
Alta do dólar impulsiona preços e liquidez da soja no Brasil
Plantio da soja atinge 89% da área e entra na reta final em MT
Nos campos norte-americanos, a colheita da safra 2026/27 entrou na reta final e alcança 88% da área prevista, impulsionada por um salto de 11 pontos percentuais na última semana. O índice supera o padrão histórico dos Estados Unidos para este período do ano, que é de 84%.
Plantio acelerado e a sombra do El Niño nos campos do Brasil
No mercado doméstico, as plantadeiras continuam operando em ritmo forte. Dados da consultoria Safras Mercado compilados pela Granoeste Corretora mostram que o plantio da safra brasileira de soja atingiu 56,4% da área estimada, após registrar um salto semanal de 14 pontos percentuais. O desempenho atual supera com folga os 46,2% registrados na mesma época do ano passado e a média histórica das últimas cinco safras para o período, que é de 53,4%.
Em Mato Grosso, maior estado produtor do país, os números apurados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que 89% da área projetada já foi semeada, patamar bastante superior aos 76,1% consolidados no mesmo ponto do calendário em 2025.
Contudo, a rapidez dos maquinários no solo brasileiro divide espaço com a cautela climática. As projeções para o desenvolvimento reprodutivo das lavouras permanecem em alerta com o comportamento da atmosfera nos próximos meses, sobretudo sob a vigência do fenômeno El Niño, classificado por meteorologistas como um dos mais fortes já observados.
Balcão físico e prêmios de exportação
Em relação aos prêmios de exportação nos portos, as indicações no mercado spot situam-se no intervalo entre +150 e +175 pontos sobre Chicago; para embarques em dezembro, oscilam de +155 a +180 pontos, e, para janeiro de 2027, variam entre +50 e +90 pontos.
No mercado físico paranaense, as ordens de compra reportadas pela corretora no Oeste do Estado giram entre R$ 150,00 e R$ 152,00 por saca de 60 kg. No corredor de exportação do Porto de Paranaguá, as ofertas estão posicionadas na faixa de R$ 160,00 a R$ 163,00 por saca, com variações que dependem estritamente dos prazos de liquidação financeira (curto ou alongado), bem como do local do armazém e da janela de carregamento definida para o interior.
