O calendário oficial do agronegócio gaúcho terá um de seus momentos mais expressivos no próximo dia 6 de novembro de 2026, data confirmada para a realização da Abertura Oficial da Colheita do Tabaco da safra 2026/2027. O evento terá início a partir das 14 horas e ocorrerá na localidade de Vila Progresso, interior do município de Vera Cruz (RS). A iniciativa é promovida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com organização conjunta da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e Município de Vera Cruz.
A sede escolhida para acolher a solenidade é a propriedade rural de Alceu e Eliane Tornquist, produtores que dedicam quase três décadas à cultura. Na atual temporada, a família mantém 90 mil pés plantados, com a expectativa de repetir o bom desempenho do ciclo 2025/2026, quando a mesma densidade vegetal rendeu mais de 13 toneladas (900 arrobas) de tabaco curado. O empreendimento rural simboliza a sucessão geracional no campo: Alceu assumiu as terras dos pais, Ilgo e Clarice (in memoriam), e já assiste às filhas, Francieli Melyza e Fabrícia Milena, conduzirem suas próprias lavouras ao lado dos maridos, Gabriel Wink e Moisés Severo.
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Diversificação e tecnologia na pequena propriedade
Distribuída em uma área total de 7,5 hectares, a propriedade dos Tornquist destaca-se pela gestão integrada e pelo aproveitamento da resteva. “Variamos entre milho e soja na safrinha, conforme o preço de mercado”, explica Alceu. No último ciclo, o casal destinou cinco hectares de resteva à semeadura do milho, colhendo 25 toneladas do cereal. A receita é complementada pela avicultura de postura comercial e pela manutenção de horta, suinocultura e pecuária de corte voltadas à subsistência familiar.
O parque de máquinas e a estrutura da propriedade contemplam duas estufas de ar forçado para folha solta, usina solar fotovoltaica, secador de cereais e tratores com implementos modernos. Para a família, o tabaco sobressai pelo retorno econômico por hectare, figurando entre as culturas agrícolas de maior rentabilidade líquida para minifúndios no Sul do país.
Segundo o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, a abertura da colheita evidencia a robustez socioeconômica da cadeia produtiva. “Por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco, existe uma forte parceria entre produtores e empresas, uma relação construída ao longo de décadas e que contribui para a qualidade e a sustentabilidade da produção de tabaco”, frisa o dirigente. O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, complementa que a trajetória dos anfitriões “evidencia o papel econômico do tabaco em pequenas propriedades rurais, tanto na geração de renda quanto na formação do patrimônio e na melhoria das condições de vida das famílias produtoras”.
Liderança produtiva nacional
O Rio Grande do Sul detém o posto de maior produtor de tabaco do Brasil. Na safra 2025/2026, os estados do Sul totalizaram 710 mil toneladas da folha curada, das quais 40% (287 mil toneladas) foram colhidas em lavouras gaúchas, mobilizando mais de 265 mil trabalhadores rurais em 205 municípios.
Sede do evento deste ano, Vera Cruz posicionou-se como o 12º maior polo produtor do estado e 31º no ranking nacional no ciclo passado, apurando 7.076 toneladas produzidas por 1.660 agricultores em 3.455 hectares.
Instituída no calendário oficial de eventos do Rio Grande do Sul em 2017 com edição inaugural em Venâncio Aires, a cerimônia de abertura da colheita já passou por Canguçu (2018), Arroio do Tigre (2019), Vale do Sol (2021), São Lourenço do Sul (2022), Rio Pardo (2024) e Santa Cruz do Sul (2025), consolidando-se como espaço de valorização da fumicultura e convergência entre produtores, cooperativas, indústrias e lideranças públicas.
