Entre julho e setembro de 2026, correspondente ao primeiro trimestre da safra 2026/27, foram formalizados 9.086 contratos de crédito rural no estado de São Paulo, movimentando um total de R$ 5,8 bilhões em recursos aplicados. O montante representou 7,9% do volume global desembolsado pelo Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) no país, posicionando o território paulista no quinto lugar do ranking nacional de contratações.
Na comparação com o mesmo intervalo da temporada 2025/26, os desembolsos de crédito em solo paulista sofreram uma queda expressiva de 41,9%. O recuo refletiu-se diretamente no volume de transações bancárias, com o número de operações encolhendo 37,6% frente ao ciclo anterior, quando haviam sido pactuados 14.551 contratos.
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O corte no acesso aos recursos atingiu todos os estratos produtivos da agropecuária paulista:
Pronaf (Agricultura Familiar): Registrou o menor recuo relativo, caindo 20,6%, ao passar de R$ 386,59 milhões para R$ 306,89 milhões;
Pronamp (Médio Produtor): Apurou retração de 42,1%, despencando de R$ 2,42 bilhões para R$ 1,40 bilhão;
Agricultura Empresarial: A maior retração nominal ocorreu entre os grandes produtores, cujos desembolsos diminuíram 43,0%, recuando de R$ 7,15 bilhões para R$ 4,08 bilhões.
A desaceleração financeira disseminou-se igualmente por todas as finalidades operacionais do crédito. O custeio, que concentra o grosso da demanda para a compra de sementes, defensivos e fertilizantes, recuou 35,6%, passando de R$ 6,07 bilhões para R$ 3,91 bilhões. As linhas de investimento registraram tombo de 47,4%, caindo de R$ 1,17 bilhão para R$ 617,79 milhões. Na comercialização, as liberações cederam 53,0% (de R$ 1,55 bilhão para R$ 727,62 milhões), enquanto a rubrica de industrialização encolheu 54,4%, passando de R$ 1,16 bilhão para R$ 530,3 milhões.
Entre os programas de modernização de capital, o Pronaf concentrou os maiores aportes em investimentos no trimestre, com R$ 142,85 milhões, seguido pelo RenovAgro (R$ 94,85 milhões) e pelo Moderfrota (R$ 75,46 milhões). Todas as linhas de financiamento de bens de capital registraram contração anual.
Carteira Ativa: crédito problemático salta para R$ 13,9 bilhões
O enxugamento no fluxo de novos financiamentos ocorre simultaneamente à deterioração na capacidade de pagamento dos produtores. Em agosto de 2026, a carteira ativa de crédito rural em São Paulo contabilizava R$ 71,5 bilhões. Desse total, R$ 13,9 bilhões correspondiam a operações classificadas como problemáticas, representando 19,4% de toda a carteira do estado — um salto de 6,8 pontos percentuais frente aos 12,6% apurados em agosto de 2025.
No detalhamento das operações de risco, 64,6% referem-se a operações renegociadas, 13,8% a inadimplência declarada, 12,7% a prorrogações de vencimento e 8,9% a contratos com atraso em aberto. O dado mais alarmante concentra-se na inadimplência bancária pura, cujo volume mais do que dobrou no comparativo anual.
A conjuntura desenha um quadro de forte aperto financeiro para o campo paulista. Com custos de produção ainda em patamares elevados, margens de venda comprimidas em diversas commodities agrícolas e maior incidência de oscilações climáticas, o endividamento trava o canal bancário e compromete as decisões de investimento e expansão para a safra 2026/27.
