A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) marcou presença na primeira edição do Outlook Agro Brasil, evento promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em Brasília. O encontro reuniu lideranças governamentais e privadas para traçar as diretrizes e oportunidades do agronegócio nacional para os próximos anos.
Representando a entidade no painel do setor produtivo, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, destacou que o Brasil conquistou um patamar inédito ao se consolidar como o maior exportador global de algodão. Agora, o desafio central da cadeia é revitalizar a demanda internacional pela fibra natural, que permanece praticamente estagnada em todo o mundo há mais de dez anos.
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"O algodão brasileiro tem capacidade de produção, tecnologia, recursos e espaço de sobra para crescer. O gargalo está em estimular o consumo mundial frente às fibras sintéticas", avaliou Portocarrero.
Sustentabilidade, confiabilidade e novas aplicações
Para reverter esse quadro, o Brasil uniu forças com outros grandes produtores mundiais — Estados Unidos e Austrália — em uma ação coordenada para conscientizar consumidores e grandes marcas internacionais sobre os atributos ambientais e a renovabilidade das fibras naturais.
Entre os principais diferenciais do produto brasileiro destacados no evento estão a alta taxa de rastreabilidade, o padrão de qualidade e a confiabilidade de fornecimento em larga escala.
Além do incremento das vendas do capulho para a indústria têxtil, a Abrapa trabalha em parceria com o MAPA, a ApexBrasil e o corpo diplomático para diversificar os canais de receita. O plano estratégico contempla a ampliação do comércio de coprodutos — com foco no farelo do caroço de algodão para nutrição animal — e o incentivo ao uso da fibra em novos nichos de alto valor agregado, como as indústrias automotiva, médica, esportiva e da construção civil.
Reconhecimento e protagonismo internacional
O protagonismo da cotonicultura foi endossado por autoridades governamentais presentes no evento. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou que a liderança brasileira em commodities como algodão, soja e café reflete o reconhecimento mundial da qualidade e sustentabilidade dos processos produtivos do País.
Na mesma linha, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, reiteraram que a segurança sanitária e a credibilidade do agro abrem portas em novos mercados globais.
A perspectiva de expansão do Brasil também foi confirmada por Justin Benavidez, especialista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontou o crescimento contínuo da fatia brasileira nas exportações mundiais de algodão nos próximos ciclos.
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