El Niño forte em 2026 pode impactar clima e energia no Brasil

Modelos climáticos apontam aquecimento do Pacífico e indicam influência mais forte do fenômeno entre a primavera e o verão no Brasil
El Niño forte em 2026 pode impactar clima e energia no Brasil
Aquecimento das águas do Pacífico pode provocar mudanças no regime de chuvas e elevar riscos para o setor elétrico e o agronegócio brasileiro
Foto do autor Jair Reinaldo
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Segundo análise divulgada pela Climatempo, as projeções climáticas mais recentes indicam a formação de um novo episódio de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. O aquecimento gradual das águas do Pacífico Equatorial reforça a possibilidade de um fenômeno de forte intensidade, com potencial para provocar impactos relevantes sobre o clima brasileiro, os reservatórios hidrelétricos e a demanda por energia elétrica.

De acordo com dados da NOAA (Administração Nacional para os Oceanos e para a Atmosfera), dos Estados Unidos, a região Niño 3.4 apresenta atualmente temperatura cerca de 0,4°C acima da média climatológica. Embora o índice ainda esteja ligeiramente abaixo do limite de 0,5°C utilizado para caracterizar oficialmente o fenômeno, os modelos climáticos vêm apontando intensificação do aquecimento ao longo dos próximos meses.

El Niño deve ganhar força entre inverno e primavera

As projeções divulgadas na primeira quinzena de maio mostram convergência dos modelos para anomalias positivas mais elevadas no Pacífico Equatorial, indicando possibilidade de fortalecimento rápido do El Niño entre o inverno e a primavera do Hemisfério Sul.

Os impactos mais expressivos sobre o Brasil tendem a ocorrer principalmente durante a primavera e o verão de 2026/2027, período em que o acoplamento entre oceano e atmosfera normalmente intensifica os efeitos do fenômeno sobre chuvas e temperaturas.

No momento, o cenário considerado mais provável é de um El Niño forte. Apesar disso, ainda não existem elementos suficientes para classificar o evento como um possível “super El Niño”, semelhante aos registrados em 1997/98 e 2015/16.

Caso as projeções se confirmem, os efeitos podem repetir padrões observados durante o episódio de 2023/2024. Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo períodos de estiagem mais severa. Já no Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno pode comprometer parte da estação chuvosa, reduzindo a recuperação dos reservatórios hidrelétricos.

Por outro lado, a região Sul tende a registrar volumes de chuva acima da média durante a atuação do fenômeno.

Reflexos no setor elétrico brasileiro

Além dos impactos sobre o clima e a produção agropecuária, o novo El Niño também preocupa o setor elétrico brasileiro. Um cenário de temperaturas mais elevadas e redução das chuvas em áreas estratégicas para geração hidrelétrica pode aumentar o risco hidrológico e pressionar o abastecimento energético.

Durante o El Niño de 2023/2024, as regiões Sudeste e Centro-Oeste registraram condições mais quentes e secas justamente nas áreas que concentram os principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN). O cenário exigiu monitoramento constante do Operador Nacional do Sistema (ONS) diante da preocupação com os níveis de armazenamento.

As temperaturas elevadas também provocaram recordes consecutivos de consumo de energia elétrica no país, impulsionados principalmente pelo uso intenso de aparelhos de ar-condicionado e refrigeração.

Com menor disponibilidade hídrica em parte do território nacional, houve necessidade maior de acionamento de usinas termelétricas para garantir o atendimento da demanda.

Sul teve excesso de chuvas no último evento

Enquanto parte do país enfrentava calor e redução das chuvas, a região Sul registrou precipitações frequentes e acima da média durante o El Niño de 2023/2024.

O excesso de chuva favoreceu a recuperação dos reservatórios hidrelétricos da região e, em alguns momentos, foi necessário realizar vertimentos, procedimento utilizado para liberar água dos reservatórios e garantir a segurança estrutural das usinas diante do elevado volume armazenado.

Especialistas apontam que um cenário semelhante poderá voltar a ocorrer caso o novo episódio de El Niño se confirme com forte intensidade nos próximos meses.

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