Segundo relatório analítico elaborado pela TF Agroeconômica sobre a dinâmica dos embarques brasileiros, o mercado exportador de milho registrou um reposicionamento conjunto entre tradings e vendedores. Ambas as pontas retornaram às negociações promovendo um corte significativo nas indicações de prêmios para embarques previstos nos meses de novembro, dezembro e janeiro, ao passo que as referências para a safra nova permanecem completamente fora do radar operacional dos agentes.
Na formação dos prêmios FOB no porto de Paranaguá, os contratos para entrega em novembro registraram queda de 7 pontos na ponta vendedora, atingindo 93 pontos, e de 13 pontos na ponta compradora, balizada em 75 pontos sobre Chicago. Para os embarques de dezembro, o movimento foi ainda mais expressivo: a indicação de venda recuou 12 pontos, fixando-se em 105 pontos, enquanto as propostas de compra cederam 25 pontos, acomodando-se em 80 pontos sobre a tela Z6 da Bolsa de Chicago. O cenário para a temporada futura segue paralisado, sem cotações ativas ou interesse vendedor para o ciclo 2027 nos portos nacionais.
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Custos logísticos e resultado líquido no interior
Ao converter os prêmios portuários e o câmbio projetado pela B3 em valores efetivos para o interior, os analistas da TF Agroeconômica apontam uma forte erosão da receita do produtor rural. Considerando uma distância de 600 quilômetros até o porto, o preço flat do milho no porto brasileiro foi calculado em US$ 206,20 por tonelada para novembro (R$ 1.103,86 em receita bruta) e US$ 208,17 para dezembro (R$ 1.120,09 de receita bruta).
Após a dedução de custos fixos essenciais da cadeia logística — que somam cerca de R$ 217,80 por tonelada e englobam frete rodoviário até o terminal (R$ 150,00/t), taxas portuárias (R$ 58,89 a R$ 59,19/t), comissões de corretagem cambial e margem técnica para quebra de transporte (0,50%) —, o preço líquido remanescente no interior atinge patamares moderados. Para embarque em novembro, o valor líquido estimado é de R$ 53,15 por saca de 60 quilos, avançando timidamente para R$ 54,10 por saca em dezembro e R$ 57,74 para janeiro de 2027.
Competição internacional e ritmo dos portos
Esse achatamento nas margens de exportação reflete a concorrência agressiva de outras origens exportadoras. A consultoria aponta que o milho FOB Paranaguá fechou cotado a US$ 214,75 por tonelada, disputando diretamente a preferência dos compradores internacionais com o milho argentino (US$ 210,00/t), norte-americano no Golfo (US$ 218,50/t) e ucraniano (US$ 201,25/t).
Diante de um quadro em que os Estados Unidos desovam a segunda maior safra de sua história e a Argentina revisa sua produção para 62 milhões de toneladas, a demanda externa diminui o ritmo das aquisições no Brasil, forçando a ponta exportadora nacional a recuar os prêmios para manter a competitividade dos portos.
