O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou oficialmente nesta sexta-feira (02/10) uma página temática com diretrizes, dados técnicos e ferramentas operacionais voltadas a antecipar e mitigar os impactos do fenômeno El Niño sobre as lavouras e pastagens brasileiras. Estruturada em cooperação técnica com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a plataforma reúne em um único ambiente digital informações sobre projeções de clima, crédito rural, Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), assistência agronômica e soluções tecnológicas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O ambiente virtual consolida o relatório do Grupo de Trabalho (GT) interinstitucional instituído para dimensionar a vulnerabilidade das cadeias agropecuárias frente ao aquecimento anômalo do Oceano Pacífico Equatorial. Como desdobramento do levantamento, o governo federal anunciou a formatação de uma instância contínua de respostas meteorológicas dentro da estrutura ministerial.
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“Recebi o relatório final do Grupo de Trabalho que criamos aqui no Mapa sobre os impactos do El Niño no agro. E a conclusão aponta uma direção muito clara: não vamos esperar para agir. Por isso, atendendo a uma proposta do GT, vamos criar um núcleo permanente de gestão de riscos climáticos no Mapa. Não estamos criando uma estrutura apenas para atravessar o próximo El Niño. Estamos construindo uma capacidade permanente do Estado brasileiro para antecipar cenários e reduzir riscos”, declarou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
A ação faz parte de uma força-tarefa interministerial coordenada pela Casa Civil para mapear riscos logísticos e de abastecimento alimentar.
Seguro Rural como garantia bancária e o desenho regional do clima
O portal destaca o papel estrutural do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), alinhado ao novo marco legal sancionado nesta semana, que vincula a contratação da apólice à composição de garantias exigidas pelo sistema financeiro. Na avaliação da pasta, a amarração entre proteção securitária e financiamento permite baratear o custo do dinheiro, com taxas de juros reduzidas, prazos flexíveis e prioridade regulatória para pedidos de prorrogação ou renegociação de dívidas decorrentes de sinistros no campo.
A iniciativa ganha relevância pelo comportamento assimétrico que o El Niño impõe ao regime hídrico brasileiro:
Região Sul: Tendência de precipitações volumosas e tempestades frequentes, exigindo manejo preventivo contra encharcamento de solo e doenças fúngicas.
Regiões Norte e Nordeste: Aumento severo do estresse hídrico e risco de estiagens prolongadas, abrangendo polos de produção e bacias hidrográficas da Amazônia e do semiárido.
Centro-Sul e Norte do Sudeste: Cenário marcado por calor persistente e períodos de estiagem moderada a severa, que exigem respeito rigoroso às janelas de semeadura do Zarc.
O ministro reforçou que a resposta institucional aos extremos climáticos exige superar modelos analógicos e fragmentados de governança agrícola:
“Não podemos enfrentar os riscos climáticos do futuro com instrumentos do passado. Zoneamento agrícola, seguro, crédito, pesquisa, inovação e informação climática vão trabalhar juntos. A emergência climática passa, mas a capacidade de prevenir fica”, concluiu André de Paula.
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