Segundo boletim de mercado divulgado pela Granoeste Corretora nesta quarta-feira, as cotações futuras do milho trabalham em terreno positivo na Bolsa de Mercadorias de Chicago, registrando valorização de 2 a 3 pontos com o vencimento de dezembro indicado a US$ 4,52 por bushel. O movimento sinaliza uma tentativa de recuperação técnica após o fechamento da sessão anterior, que encerrou com recuo de 6 pontos nos principais contratos.
A melhora pontual busca estancar uma sequência expressiva de perdas, que já acumula desvalorização de cerca de 10% desde o início de outubro. De acordo com a leitura de mercado da Granoeste Corretora, o panorama externo segue contido pelo ritmo firme da colheita nos Estados Unidos — onde as máquinas já cobriram 60% da área prevista — e por uma demanda global ainda comedida, fatores que se sobrepõem à alta do petróleo e ao aumento da aversão ao risco no Oriente Médio, alimentado por novas ofensivas dos Houthis.
Exportação de milho opera com prêmios fracos e trava negócios da safra
Milho opera em queda com colheita nos EUA e avanço argentino
Ritmo da semeadura de verão e recuo nos embarques
No cenário agropecuário brasileiro, os trabalhos de campo da primeira safra mantêm avanço contínuo. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que o plantio do milho de verão cobriu 40% da área estimada no país, ante 36% na semana anterior, superando os 39,4% observados em igual período do ano passado e a média histórica de 38,9%. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) aponta que a semeadura já atinge 94% da área, projetando uma safra estadual de 4,07 milhões de toneladas, frente às 4,14 milhões de toneladas obtidas no ciclo anterior.
Pelo lado do comércio exterior, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) calcula que os embarques brasileiros de milho devem totalizar cerca de 6,1 milhões de toneladas ao longo de outubro. Caso esse volume seja concretizado nos portos, o total exportado na temporada iniciada em fevereiro atingirá 21,5 milhões de toneladas, recuo expressivo em comparação com os 26,2 milhões de toneladas contabilizados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) em idêntico período de 2025.
Demanda doméstica acomodada e cotações no balcão
Nas praças de comercialização interna, a liquidez segue restrita e a procura industrial permanece acomodada. Contribuem para esse quadro a fraqueza nos preços internacionais de exportação — que mantêm baixos os níveis de paridade portuária apesar do suporte cambial —, o encerramento recente da colheita e os estoques confortáveis das indústrias processadoras. Esse ambiente, somado à pressão de produtores que necessitam realizar vendas para gerar fluxo de caixa, enfraquece o poder de barganha dos ofertantes.
Na B3, a curva de contratos futuros operou com ajustes altistas: o vencimento para novembro avançou para R$ 67,05 por saca (frente ao fechamento prévio de R$ 66,35), enquanto o contrato de janeiro de 2027 passou a R$ 70,55 (ante R$ 70,45 do pregão anterior).
No balcão físico, as indicações de compra no oeste do Paraná balizam na faixa de R$ 58,00 a R$ 61,00 por saca. Para entrega e movimentação no porto de Paranaguá, os valores oscilam entre R$ 65,00 e R$ 68,00 por saca, a depender da localização física do lote no interior e dos prazos acordados de liquidação. No segmento monetário, o dólar comercial opera estável a R$ 5,34, em linha com a referência de R$ 5,348 registrada no encerramento anterior.
