O mercado global de trigo voltou a operar sob forte volatilidade após o agravamento das tensões no Leste Europeu e a divulgação de dados que indicam um quadro de oferta mais restrita no Hemisfério Sul. Segundo o boletim da TF Agroeconômica, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou novos bombardeios contra cargueiros e estruturas portuárias em Pivdennyi, Odessa e depósitos de combustível em Chornomorsk, na Ucrânia. A intensificação das ações militares paralisa o fluxo marítimo de escoamento e reverteu as quedas iniciais registradas nas bolsas de Chicago e Kansas, que fecharam em alta diante do risco logístico.
Paralelamente, a Rússia estuda a concessão de subsídios e a suspensão de tarifas variáveis de exportação de grãos para desovar seus estoques pelos portos do Mar de Azov. Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera alcançou 62% da área semeada, com índice de lavouras boas ou excelentes recuando para 51%.
Oferta restrita sustenta preços do trigo mesmo com liquidez baixa
Brasil reduz área de trigo e deve importar 7,5 milhões de toneladas
Aperto na oferta do Mercosul e mercado brasileiro
O cenário estrutural ganha suporte adicional com as projeções para o bloco sul-americano. O balanço de oferta e demanda aponta que a produção total de trigo no Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) sofrerá uma retração de 22,7% na safra, caindo para 29,62 milhões de toneladas. Com isso, o volume exportável do bloco recuará 23,1%, projetando estoques finais mais enxutos.
No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a colheita alcançou 6,7% da área cultivada. As lavouras brasileiras enfrentam desafios sanitários, com incidência de brusone e manchas foliares estimuladas pelo clima úmido em praças de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.
No mercado físico, a escassez de trigo da safra velha mantém as negociações em níveis elevados:
Paraná: ofertas da safra velha ao redor de R$ 1.500/t CIF moinho, com safra nova cotada acima de R$ 1.450/t FOB;
Rio Grande do Sul: negócios pontuais entre R$ 1.500 e R$ 1.550/t CIF moinhos, diante de uma disponibilidade interna de apenas 100 mil toneladas até a entrada plena da nova safra;
Santa Catarina: mercado lento com preços balizados entre R$ 1.350 e R$ 1.400/t para o trigo pão.
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