A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), fez duras críticas à condução das contas públicas brasileiras durante o seminário Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Grupo Estado, em São Paulo. O encontro reuniu economistas, parlamentares e lideranças como o presidente da CNA, João Martins, e o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).
Ao avaliar a trajetória das contas públicas, a parlamentar afirmou que o atual arcabouço fiscal falhou em garantir austeridade e equilíbrio sustentável entre arrecadação e dispêndios:
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"Em 2023, votei contra o arcabouço fiscal porque sabia que ele não daria certo da forma como foi colocado. Não por ser oposição ou situação, mas porque a proposta não garantiu o ajuste fiscal. Permitiu o aumento das despesas sem garantir as receitas necessárias. Não se questionava a qualidade dos gastos e nem a austeridade. As despesas estão crescendo acima dos limites que o próprio governo criou. Onde serão feitos os cortes? Ajuste de verdade tem endereço."
Custo do crédito, endividamento e gargalos logísticos
Tereza Cristina conectou a expansão dos gastos públicos diretamente à manutenção da taxa básica de juros em patamares restritivos. De acordo com a senadora, a desconfiança macroeconômica gerada pelo descontrole orçamentário encarece as linhas de crédito essenciais ao agronegócio, afirmando categoricamente que "o crédito rural está deixando de caber no bolso do produtor".
O encarecimento das taxas agrava o endividamento dos agricultores, fragilizados por safras consecutivas marcadas por adversidades climáticas extremas. Para conter o avanço das renegociações de dívidas, a parlamentar defendeu a ampliação emergencial dos aportes no Seguro Rural e medidas de previsibilidade financeira.
Além das taxas de juros, a infraestrutura de escoamento entrou no rol de preocupações. A senadora destacou que a estiagem severa que reduz o nível do rio Tapajós, no Arco Norte, volta a ameaçar o fluxo de barcaças de grãos, demonstrando que a competitividade do campo depende da integração entre disciplina fiscal, financiamento com juros justos, mitigação de riscos climáticos e investimentos logísticos contínuos.
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