Um estudo inédito conduzido pela Serasa Experian, intitulado Mapa da Soja, revelou que 82,6% das operações de crédito rural com recursos públicos analisadas na safra 2025/26 apresentaram conformidade entre a finalidade contratada e a presença efetiva da oleaginosa no campo. O resultado representa um avanço de 6,6 pontos percentuais frente à safra 2022/23, quando o índice de aderência foi de 76%.
Utilizando tecnologia proprietária de sensoriamento remoto e imagens orbitais, o levantamento constatou que em 66,7% dos casos não houve qualquer divergência e em 15,9% a diferença entre a área declarada e a cultivada ficou em até 10% — variação considerada técnica, ligada à escala cartográfica e aos limites das glebas, sem caracterizar irregularidade.
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Por outro lado, o monitoramento identificou que 17,4% das operações registraram divergências superiores a 10% da área financiada. Dentro desse grupo em alerta, 10,6% tiveram disparidades entre 10% e 50%, 3,7% entre 50% e 90% e 3,1% apresentaram inconsistências de 90% a 100%. Entre os casos críticos, foram identificados contratos de custeio onde nenhum hectare de soja foi cultivado na área informada, sendo detectada a presença de outras culturas.
Rastreabilidade financeira e gestão de risco bancário
As operações que apresentaram desvios potenciais acima de 10% correspondem a R$ 2,2 bilhões em crédito concedido, montante que representa cerca de 25% do volume financeiro total auditado pelo estudo.
O head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, enfatiza que as discrepâncias funcionam como filtros de priorização para os agentes financeiros:
"Quando transformamos imagens de satélite e dados territoriais em indicadores objetivos, o monitoramento deixa de depender de uma análise amostral e evita altos custos com analistas para verificação de toda a carteira. A tecnologia ajuda a identificar onde estão as maiores divergências e permite que a instituição financeira concentre esforços justamente nas operações que demandam maior atenção. É uma forma de ganhar eficiência, ampliar a rastreabilidade e qualificar a gestão do crédito rural com baixo custo."
Quase 98% dos plantios respeitaram o Zarc
O levantamento avaliou também a janela temporal de semeadura e a exposição agroclimática de 1,53 milhão de talhões, totalizando 46,9 milhões de hectares de soja. Os dados mostram que 97,8% da área monitorada foi semeada dentro dos períodos indicados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
Do total avaliado, 84,9% das lavouras estavam enquadradas na faixa de menor risco climático (20%), 10,7% na faixa intermediária (30%) e 2,2% na faixa de 40%. Apenas 2,2% registraram plantio fora da janela recomendada.
O acompanhamento ganha força regulatória no âmbito do Manual de Crédito Rural (MCR) e da Resolução CMN nº 5.267/2025, fornecendo aos credores métricas precisas para auditar garantias e avaliar a exposição ao risco ao longo do ciclo produtivo.
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