Os contratos futuros da soja operam em terreno negativo na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) na manhã desta terça-feira, de acordo com o mais recente relatório de mercado divulgado pela Granoeste Corretora. O vencimento novembro, referência para a safra norte-americana, perdeu o suporte psicológico e trabalha cotado a US$ 12,99 por bushel, registrando baixa de 5 pontos. O movimento devolve parte dos ganhos da sessão anterior, quando o mercado havia ensaiado uma recuperação técnica com altas entre 7 e 9 cents após as fortes perdas de sexta-feira, desencadeadas pelo relatório baixista de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A combinação entre a valorização da moeda norte-americana e o ritmo acelerado de início da colheita nos Estados Unidos atua como o principal frete baixista para as cotações internacionais. Segundo dados oficiais divulgados pelo USDA no fim da tarde de ontem, 6% da área norte-americana de soja já foi colhida, superando os 5% apurados em igual período do ano passado e os 3% da média histórica de cinco anos. Além disso, 44% das lavouras já completaram a fase de maturação fisiológica, frente a 38% registrados no mesmo ponto de 2025 e 37% da média plurianual.
Soja sobe leve em Chicago após relatório baixista do USDA
Custo da soja sobe e rentabilidade cai 35% em Mato Grosso
O avanço das máquinas no Meio-Oeste norte-americano, no entanto, pode sofrer interrupções nos próximos dias diante da previsão de chuvas mais volumosas sobre extensas faixas produtivas. No front qualitativo, o órgão manteve as condições das lavouras inalteradas na semana, com 58% das áreas avaliadas como boas ou excelentes, 29% regulares e 13% em condições ruins ou péssimas. Em 2025, os índices correspondentes apontavam 63% em boas ou excelentes, 26% regulares e 11% ruins ou péssimas.
Entressafra acirrada e início do plantio sustentam valores no Brasil
No mercado físico brasileiro, a dinâmica de preços mantém sustentação e descola-se das perdas registradas no exterior. O levantamento da Granoeste Corretora aponta que a proximidade do encerramento da temporada e a necessidade de cumprimento de escalas industriais deixam os esmagadores mais ativos na busca por lotes remanescentes. Apesar do apetite comprador, a liquidez efetiva segue travada pelo descompasso evidente entre as pedidas firmes dos agricultores e os valores balizados pela indústria e pelos exportadores.
No campo operacional, o plantio da safra nacional 2026/27 já teve sua largada oficializada, concentrado primordialmente no Paraná e em Mato Grosso. Levantamento da consultoria AgRural aponta que 0,4% da área projetada já foi semeada no país, superando os 0,1% registrados no mesmo intervalo do ano anterior.
A firmeza no balcão nacional é respaldada por fundamentos portuários robustos:
Prêmios de exportação: As indicações nos portos seguem consistentes, trabalhando na faixa de 150 a 165 pontos sobre Chicago para embarque spot e para a posição novembro, descendo para 145 a 160 pontos no vencimento dezembro;
Oeste do Paraná: As cotações de compra no disponível transitam entre R$ 151,00 e R$ 153,00 por saca, com variações atreladas à localização do lote e aos prazos de liquidação;
Porto de Paranaguá: As referências para exportação sustentam valores firmes entre R$ 161,00 e R$ 163,00 por saca, dependendo da janela de entrega e do perfil financeiro do contrato.
A postura defensiva do produtor doméstico, associada à sustentação dos prêmios portuários, mantém a formação de preços no interior protegida da recente volatilidade externa da CBOT.
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