A necessidade de adaptação ao estresse climático e a busca do produtor por alternativas de proteção de margem deram o tom da sétima edição do Giratech Caramuru, encontro técnico anual promovido pela Caramuru Alimentos em Itumbiara (GO). O evento reuniu cerca de 600 produtores rurais, agrônomos, pesquisadores e lideranças do agronegócio para dissecar os gargalos operacionais da temporada, compartilhar avanços genéticos e projetar o escalonamento da cultura como sucessão estratégica no Cerrado.
O debate ganha relevância imediata após um ciclo de verão marcado por instabilidade pluvial e atrasos na semeadura da soja, dinâmicas que encurtaram a janela agronômica para a safrinha. Mesmo sob essa conjuntura restritiva, a Caramuru ampliou a área plantada sob fomento em 5% no ciclo 2025/2026, atingindo 55,8 mil hectares, com estimativa preliminar de originar 55 mil toneladas de grãos.
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A expansão acompanha a trajetória de 27 anos de investimentos contínuos da companhia na introdução e melhoramento do girassol em Goiás, principal polo da cultura no país. O modelo operacional ultrapassa o esmagamento industrial, integrando assistência técnica continuada, fornecimento de sementes certificadas, contratos a termo e garantia formal de liquidez com compra de 100% da produção entregue.
Metas de originação e estrutura de estocagem
O gerente de negócios de girassol da Caramuru Alimentos, Túlio Ribeiro, adianta com exclusividade que o plano corporativo mira um salto de volume na safra futura:
"O Giratech Caramuru é uma oportunidade para discutirmos os desafios da safra, compartilharmos conhecimento técnico e apresentarmos soluções que fortalecem o desenvolvimento da cultura. O clima trouxe desafios importantes neste ciclo, mas também reforçou a importância do girassol como alternativa para diversificação da segunda safra. A expectativa da companhia para a próxima safra é ampliar a originação para 100 mil toneladas, aproximando-se da capacidade instalada de processamento, de 125 mil toneladas por ano."
Para suportar o incremento de 81% no recebimento, a empresa executa aportes na infraestrutura logística, incluindo a construção de um armazém exclusivo para grãos de girassol no complexo fabril de Itumbiara e uma nova unidade recebedora no município de Silvânia (GO).
Vantagens agronômicas frente ao milho e reciclagem de potássio
Os diferenciais fisiológicos da oleaginosa foram apontados como fatores determinantes para a rentabilidade da porteira para dentro. Em anos de veranicos ou plantio tardio, o girassol exige em média 250 milímetros de precipitação ao longo de todo o ciclo vegetativo, enquanto o milho safrinha demanda cerca de 600 milímetros para expressar seu potencial produtivo.
Além da rusticidade hídrica, os atrativos da cultura abrangem:
Investimento enxuto: Custo de implantação consideravelmente inferior ao pacote tecnológico exigido pelo milho de alta produtividade;
Rentabilidade líquida atraente: Resultados de campo variando entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil por hectare quando semeado na janela recomendada e com manejo nutricional ajustado;
Serviço ecossistêmico de fertilidade: Ação de reciclagem profunda de potássio pelas raízes pivotantes, descompactando o solo e disponibilizando o nutriente para a safra seguinte de soja;
Mitigação de risco sanitário: Quebra de ciclo de pragas e doenças incidentes sobre gramíneas no sistema produtivo.
Com 62 anos de atuação e presença industrial em seis estados, a Caramuru Alimentos figura como a sétima maior processadora de soja do país (acima de 2 milhões de t/ano), terceira maior em milho (470 mil t/ano) e décima produtora nacional de biodiesel (mais de 550 milhões de litros/ano), ancorando sua competitividade na capilaridade de terminais logísticos em Santos (SP), Tubarão (ES) e Santana (AP).
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