Os contratos futuros da soja operam em terreno levemente positivo na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) na manhã desta segunda-feira, cotados ao redor de US$ 12,98 por bushel para o vencimento novembro, segundo levantamento de mercado divulgado pela Granoeste Corretora. O tímido repique ocorre logo após a forte desvalorização da sessão anterior, quando o mercado internacional despencou entre 34 e 36 centavos de dólar — recuo próximo a 3% — em reação direta aos dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O relatório oficial norte-americano surpreendeu os operadores ao apontar que os Estados Unidos caminham para colher uma das maiores safras de sua história, com volume projetado em 123,4 milhões de toneladas, superando com folga o teto esperado pelo consenso do mercado e os 116 milhões de toneladas apurados no ciclo precedente. Para o fim da tarde desta segunda-feira, o órgão federal deve confirmar o início dos trabalhos de colheita nas lavouras do Meio-Oeste.
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No quadro global desenhado pelo órgão norte-americano, a demanda chinesa por soja segue estável em 113 milhões de toneladas para este ano e estimada em 115 milhões de toneladas para a safra subsequente.
Produtor retraído blinda o mercado nacional
Mesmo sob a pressão das perdas acumuladas em Chicago, as praças de comercialização no Brasil não registraram alterações expressivas, mantendo cotações sustentadas. A análise da Granoeste Corretora detalha que o avanço da taxa de câmbio contribuiu para neutralizar parte do impacto externo, mas o fator decisivo para a sustentação dos preços foi a postura firme e defensiva do sojicultor brasileiro, que recuou das negociações na expectativa de obter remunerações superiores durante o pico da entressafra.
A dinâmica logística também retira o ímpeto vendedor no campo:
Espaço estático disponível: Com o encerramento da colheita da safrinha de milho, os grãos estão acomodados nos silos, eliminando a urgência de abertura imediata de espaço e evitando vendas a qualquer preço;
Prêmios portuários fortalecidos: As bases de exportação seguem valorizadas nos terminais marítimos, com o spot indicado entre +155 e +165 cents sobre Chicago, novembro entre +150 e +165 cents e dezembro operando na faixa de +145 a +160 cents;
Preços no Paraná: As indicações de compra no Oeste paranaense oscilam entre R$ 151,00 e R$ 153,00 por saca, enquanto no Porto de Paranaguá os valores transitam entre R$ 162,00 e R$ 164,00 por saca, variando conforme prazo de pagamento, localização do armazém e período estipulado de embarque.
Para o Brasil, o USDA segue projetando a safra 2026/27 em recordes 186 milhões de toneladas com exportações de 118 milhões de toneladas, contra 180 milhões de toneladas e 115 milhões de toneladas estimadas para o ciclo corrente.
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