A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolou nesta segunda-feira (14) um ofício de caráter emergencial direcionado ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto. No documento, assinado pelo presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, o setor produtivo manifesta profunda preocupação diante de novos relatos de atrasos e cotas restritivas na entrega de óleo diesel a produtores rurais, justamente no arranque da semeadura da safra de verão 2026/27.
O alerta reedita a crise vivenciada entre março e abril deste ano, durante a colheita da soja e do arroz. Naquele período, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) em funcionamento regular e com produto estocado, mais de 170 municípios gaúchos registraram desabastecimento, interrupção de maquinários no campo e preços abusivos que bateram na casa de R$ 9,00 por litro nos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs) e postos do interior.
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Projeções da Assessoria Econômica da Farsul mensuram a dimensão do estrangulamento financeiro nas lavouras:
Impacto intermediário: A disparada de 21,1% no diesel S10 (saltando de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro) representa um acréscimo de R$ 612,2 milhões nos custos operacionais das máquinas agrícolas;
Cenário extremo: Caso as restrições empurrem o litro novamente para a faixa de R$ 9,00, as perdas acumuladas no campo gaúcho atingirão a marca de R$ 1,47 bilhão;
Risco agronômico: O atraso no abastecimento encurta a janela ideal de semeadura, reduz a área cultivada e ameaça o teto produtivo do estado;
Repasse ao consumidor: O encarecimento do combustível e do frete pressiona os índices de inflação e eleva o custo final dos alimentos na gôndola.
A entidade destaca ainda que, conforme dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o combustível doméstico operou abaixo da paridade de importação ao longo de agosto, acumulando defasagem de até R$ 2,56 por litro. Por conta desse descolamento, a subvenção de R$ 1,00 por litro anunciada pelo Governo Federal precisa se traduzir com urgência em oferta física regularizada e alívio nos preços de bomba.
Demandas formais protocoladas na ANP
Para evitar a paralisação das frentes de plantio, a Farsul cobra da agência reguladora a execução imediata de medidas fiscalizatórias e punitivas:
Fiscalização nas distribuidoras: Vistoria emergencial nas bases de distribuição que atendem os TRRs, redes independentes e prefeituras do Rio Grande do Sul;
Transparência operacional: Publicação detalhada e regionalizada de dados sobre estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, cancelamentos e prazos médios de resposta;
Combate a práticas anticompetitivas: Investigação rigorosa sobre eventuais recusas injustificadas de entrega, retenção deliberada de combustível, tratamento discriminatório a compradores e limitação artificial de oferta;
Prestação de contas e contingência: Apresentação dos resultados das investigações sobre a escassez registrada no primeiro semestre e criação de um plano de contingência para os períodos de pico de plantio e colheita.
A federação colocou seus canais técnicos à disposição para subsidiar os órgãos de controle com dados de campo, reforçando que o diesel contínuo e a preços condizentes é pré-requisito indispensável para a segurança alimentar do país.
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