O segundo dia de atividades do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado no Expominas, em Belo Horizonte (MG), aprofundou a análise dos vetores que moldam a competitividade da pluma nacional nos ambientes produtivo e comercial. Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o encontro reuniu pesquisadores, consultores, industriais e agricultores para discutir o equilíbrio entre expansão de área, gestão racional de insumos e exigências socioambientais dos importadores globais.
No âmbito do comércio exterior, o painel "O algodão brasileiro no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/27" delineou o panorama para o próximo ciclo de plantio. Projeções apresentadas no evento indicam que a cotonicultura brasileira deve ocupar 2,22 milhões de hectares na temporada 2026/27, representando uma expansão de cerca de 7% em relação ao ciclo precedente. As lideranças do setor enfatizaram que a manutenção do país no topo das exportações globais exige garantir regularidade de embarques durante os doze meses do ano, ampliar a penetração em novos destinos industriais e mitigar gargalos logísticos e custos de frete em meio a um ambiente geopolítico volátil.
Algodão em pluma cai com estoques cheios na indústria
Cotonicultura cobra política de Estado para ciclo 2027-2030
Manejo nutricional baseado em dados supera a adubação excessiva
Para além das dinâmicas de mercado, os debates técnicos voltados ao manejo de solo trouxeram alertas quanto ao uso indiscriminado de fertilizantes. Especialistas demonstraram que elevar volumes de adubação química não assegura retorno proporcional em produtividade e pode comprometer as margens financeiras da lavoura. As recomendações técnicas concentraram-se na análise detalhada do perfil do solo, dinâmica de aprofundamento do sistema radicular, capacidade de retenção de água e histórico de ciclagem de nutrientes de cada talhão, defendendo decisões agronômicas customizadas e orientadas por dados de campo.
A grade técnica do evento desdobrou-se ainda em hubs temáticos dedicados à inovação agronômica e biotecnológica. Na área fitossanitária, o controle de lagartas e insetos sugadores foi debatido sob a ótica do manejo integrado, combinando edição gênica, defensivos de precisão e ferramentas de controle biológico. Questões industriais da pluma também ganharam relevância, incluindo o combate à contaminação de fardos, a performance da fibra nas fiações internacionais e a mensuração de ciclo de vida e microplásticos na cadeia têxtil.
As discussões abordaram também a rastreabilidade e a transparência comercial como barreiras não tarifárias indispensáveis, destacando a evolução do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) na chancela socioambiental das propriedades. O 15º CBA encerra sua programação nesta quinta-feira (24), consolidando as diretrizes que nortearão a cotonicultura brasileira nas próximas safras.
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