Uma delegação composta por 20 agricultores de diferentes municípios do Paraná marca presença no 15° Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que ocorre entre 22 e 24 de setembro em Belo Horizonte (MG). A mobilização da comitiva foi articulada pela Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar) com o objetivo de integrar os produtores às mais recentes inovações científicas, tecnologias de campo e diretrizes mercadológicas que orientam o setor no país.
Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o encontro trabalha sob o tema central "Algodão brasileiro: fibra natural; uma jornada com propósito, qualidade e transparência". A programação abrange debates técnicos conduzidos por especialistas, lideranças industriais e cotonicultores das principais fronteiras agrícolas nacionais, abordando manejo agronômico, eficiência produtiva e tendências de demanda internacional.
Hereford e Braford lideram 75% das vendas na Expointer
Cavalo Crioulo lidera vendas de animais e movimenta R$ 17 milhões na Expointer
Para os produtores do Paraná, a troca de experiências diretas surge como o principal atrativo técnico. O agricultor José Cenizo, que cultiva cerca de 40 hectares da pluma em rotação com soja e milho no município de Cambará, no Norte Pioneiro, destaca que a circulação pelas discussões do congresso permite identificar práticas eficientes consolidadas em grandes polos e avaliar como adaptá-las à realidade do solo paranaense.
Essa visão de resgate agronômico é compartilhada por Aristeu Sakamoto, presidente do Sindicato Rural de Cambará. Sakamoto ressalta o aprendizado extraído dos modelos consolidados de combate ao bicudo-do-algodoeiro executados com rigor em estados como Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, pontuando que a estruturação de protocolos sanitários regionais é fundamental para dar segurança a quem deseja investir na cultura no Paraná.
Da liderança histórica ao projeto de reconquista técnica
O intercâmbio ganha peso diante do histórico produtivo paranaense. No ciclo 1991/92, o estado ocupava a liderança absoluta da cotonicultura brasileira, somando 709 mil hectares semeados — área que representava 36% de todo o plantio nacional da época. Contudo, o avanço agressivo do bicudo-do-algodoeiro associado à expansão da soja e a crises econômicas na década de 1990 causou o colapso da atividade em território estadual. Atualmente, o Paraná cultiva aproximadamente 1,7 mil hectares, o equivalente a meros 0,2% do seu auge histórico.
A Acopar tem liderado iniciativas de suporte técnico para reverter esse quadro, realizando diagnósticos de viabilidade nas propriedades e oferecendo assistência técnica direcionada aos interessados. O diretor-presidente da entidade, Almir Montecelli, salienta que o congresso expõe a pujança de uma cadeia produtiva que alçou o Brasil ao posto de maior exportador global de algodão, abrindo um horizonte concreto de diversificação rentável para o produtor paranaense.
No cenário macroeconômico, a abertura do evento reuniu alertas e celebrações. O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, frisou a relevância da gestão financeira e do planejamento de cenários para amortecer os impactos da volatilidade climática e das disputas comerciais no mercado global. Paralelamente, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, celebrou o patamar histórico alcançado pela atividade no país, com safra recorde superior a 4 milhões de toneladas de pluma e embarques externos anuais que ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de 3 milhões de toneladas.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
