O mercado internacional do açúcar opera sob sinais evidentes de aperto na oferta de curto prazo, impulsionando a commodity a testar novas máximas nas bolsas externas, segundo aponta relatório setorial divulgado pela Hedgepoint Global Markets. A sustentação das cotações decorre da perda de tração de um dos principais argumentos baixistas do setor: a expectativa de que o Centro-Sul do Brasil inundaria o mercado global com uma oferta abundante e imediata do adoçante.
Registros oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) relativos à primeira quinzena de agosto vieram abaixo das projeções do mercado, evidenciando os impactos do padrão irregular de chuvas atrelado ao fenômeno super El Niño. Embora o volume total de cana-de-açúcar processada permaneça elevado — com a estimativa de safra mantida em 635,5 milhões de toneladas —, o rendimento industrial sofreu forte revés. O Açúcar Total Recuperável (ATR) estabilizou-se em 140,3 kg por tonelada, patamar substancialmente inferior à média histórica de cinco anos para o período, que é de 149,5 kg/t.
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A analista da Hedgepoint e autora do levantamento, Lívea Coda, destaca que a deterioração na qualidade da matéria-prima alterou o direcionamento das usinas:
"Os resultados da primeira quinzena de agosto para o Centro-Sul brasileiro foram mais fracos do que o esperado, levantando preocupações sobre o potencial de produção da região e desafiando as suposições de disponibilidade abundante de açúcar no curto prazo."
Esse cenário técnico forçou as unidades processadoras a desviar maior volume de caldo para a destilação de etanol, em detrimento do açúcar, mesmo com a cotação internacional da commodity remunerando melhor. Diante desses entraves operacionais, a Hedgepoint reviu suas premissas e cortou em 1,4 milhão de toneladas a sua projeção para a produção de açúcar do Centro-Sul, fixando-a agora em 38,5 milhões de toneladas. A estimativa para o mix açucareiro médio recuou para 46,8%, enquanto o teto para o ATR acumulado da safra foi rebaixado para 135,6 kg/t.
No ambiente financeiro, o recuo na produção brasileira, aliado a perspectivas desfavoráveis para as safras da Índia e da União Europeia, fornece suporte para manter os preços internacionais confortavelmente acima de 18 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. Esse aperto na balança comercial estimulou fundos de investimento especulativos a inflar suas posições compradas líquidas, utilizando o açúcar também como ativo de proteção contra a inflação global.
O balanço global de oferta e demanda entre o segundo trimestre de 2026 e o terceiro trimestre de 2027, antes projetado com excedente superior a 1 milhão de toneladas, aponta agora para um superávit residual de apenas 175 mil toneladas, colocando o fluxo comercial na linha do equilíbrio e ampliando a volatilidade dos preços.
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