A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) manifestaram forte preocupação com a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) de renovar, por mais 12 meses, as elevações tarifárias aplicadas a resinas plásticas. As alíquotas adicionais, inseridas na Lista de Desequilíbrios Conjunturais de Competitividade (DCC), permanecerão vigentes a partir de 14 de outubro de 2026.
As entidades defendiam o indeferimento dos pedidos de renovação. Entre janeiro e julho de 2026, os preços médios de importação dessas matérias-primas registraram salto de 63%, cenário influenciado por choques globais de oferta e tensões no Oriente Médio. Para o setor produtivo, manter a proteção tarifária em um ambiente de preços internacionais já elevados sobrecarrega a indústria de transformação nacional.
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Inversão tarifária e impacto direto na gôndola de alimentos
O setor alerta para um descompasso estrutural na Tarifa Externa Comum (TEC), no qual matérias-primas básicas passam a ser tributadas em patamares superiores aos de bens acabados. Esse desequilíbrio reduziu a competitividade local e acelerou as importações de produtos plásticos transformados em 19% em 2026, penalizando a geração de empregos industriais no Brasil.
De acordo com o presidente executivo da Abia, João Dornellas, a elevação atinge diretamente a segurança de custos da mesa da população. As embalagens derivadas das cinco resinas afetadas representam até 14% dos custos industriais de alimentos e bebidas, com potencial de gerar um impacto de 9,5% no preço final de venda ao consumidor. No primeiro semestre de 2026, o custo industrial médio do setor alimentício acumulou alta de 4,6%, atingindo cerca de 10% nos últimos 18 meses.
Análise de antidumping do polietileno segue suspensa
Paralelamente, o processo que trata da aplicação de direito antidumping sobre importações de polietileno foi retirado da pauta de julgamento do Gecex para a complementação de estudos técnicos e jurídicos. Com isso, não houve deliberação sobre o recurso de reconsideração da peticionária, mantendo-se vigente a taxa reduzida por razões de interesse público.
Para o presidente do Conselho da Abiplast, José Ricardo Roriz Coelho, somar barreiras comerciais em mercados concentrados encarece insumos vitais e enfraquece a indústria nacional frente aos concorrentes externos. As entidades reiteram que a preservação do acesso às resinas internacionais é indispensável para evitar desabastecimento e conter a inflação de alimentos.
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