O Brasil consolida sua posição como o grande fiador do abastecimento internacional de açúcar, neutralizando os impactos de quebras e riscos climáticos severos que atingiram os principais polos produtores do Hemisfério Norte. Segundo relatório analítico divulgado pela Hedgepoint Global Markets, a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul brasileiro está projetada em expressivas 635,5 milhões de toneladas, posicionando-se como o contrapeso fundamental contra a retração de oferta na Índia, Tailândia e União Europeia.
A ampla disponibilidade de matéria-prima no país e a capacidade das usinas de ajustar o mix de produção em direção ao adoçante — que segue remunerando acima do etanol hidratado e anidro — mantêm os fluxos comerciais globais em terreno superavitário. Mesmo sob estimativas conservadoras de destinação industrial com mix de 47,7%, a produção de açúcar brasileira deve se consolidar próxima a 40 milhões de toneladas.
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Quebras na Ásia e calor histórico na Europa
A maior pressão altista global decorre dos efeitos do fenômeno El Niño sobre os canaviais asiáticos e da seca na Europa:
Índia: A produção foi revisada para cerca de 27,6 milhões de toneladas, volume insuficiente para gerar excedente exportável, o que levou o governo indiano a autorizar a importação de 1 milhão de toneladas e a contingenciar estoques locais;
Tailândia: A moagem recuou para 88 milhões de toneladas de cana, com a produção de açúcar caindo para 9,5 milhões de toneladas e exportações limitadas a 6 milhões de toneladas, dando forte suporte aos prêmios do açúcar refinado;
União Europeia: Ondas de calor sucessivas e estiagem na França, Alemanha e Polônia castigaram a produtividade da beterraba sacarina, encolhendo a produção do bloco para aproximadamente 14 milhões de toneladas.
Aperto moderado sem risco de escassez estrutural
De acordo com a coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Lívea Coda, embora o mercado tenha perdido margem de segurança frente aos anos anteriores, o cenário para o encerramento de 2026 e o primeiro semestre de 2027 é de aperto moderado, e não de escassez estrutural.
Mesmo considerando o cenário em que a Índia concretize a compra de 1 milhão de toneladas no exterior, o volume gerado pela moagem recorde no Centro-Sul brasileiro e as boas perspectivas para a temporada subsequente limitam a possibilidade de novos ralis explosivos de preços como os observados em 2023. O segmento de açúcar branco refinado, contudo, deve permanecer mais sensível e valorizado devido à dependência direta das refinarias do Hemisfério Norte.
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