O volume físico de produção da agroindústria brasileira registrou retração de 0,9% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Conforme levantamento do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo FGVAgro, o resultado negativo foi determinado pelo fraco desempenho do segmento de Produtos Não Alimentícios, que apresentou queda de 2,1%.
Dentro do setor não alimentício, os principais vetores de retração foram:
Produtores do Paraná têm até novembro para renegociar crédito rural
Custo de importação da borracha natural recua 5,2% em julho
Insumos Agropecuários: forte contração de 12,1%;
Produtos Têxteis: recuo de 3,7%.
No segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas, o comportamento foi de estabilidade técnica no mês, com ligeiro avanço de 0,1%. O desempenho favorável de Alimentos de Origem Animal (+3,3%) e do setor de Bebidas (+3,0%) compensou a expressiva queda registrada na produção de Alimentos de Origem Vegetal (-6,1%).
Primeiro semestre fecha em queda com perda de dinamismo
No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, a agroindústria nacional computou uma contração de 0,3% em relação a igual intervalo de 2025. O recuo acumulado reflete o arrefecimento da atividade econômica doméstica somado às instabilidades e incertezas no ambiente de comércio internacional.
O balanço semestral revelou assimetria entre as cadeias produtivas:
Produtos Não Alimentícios: retração acumulada de 2,0%;
Produtos Alimentícios e Bebidas: expansão de 1,1%.
Apesar do saldo positivo no semestre para a divisão de alimentos e bebidas, os dados com ajuste sazonal indicam que a taxa de variação vem perdendo fôlego sucessivamente desde o mês de março.
Riscos no comércio exterior ameaçam recuperação no 2º semestre
O FGVAgro adverte que a tentativa de recuperação da agroindústria na segunda metade do ano encontrará obstáculos severos na frente externa. O setor deve absorver os impactos do esgotamento da cota de importação chinesa para a carne bovina brasileira, além de restrições sanitárias que interrompem embarques de derivados de origem animal para a União Europeia. Embora ainda haja margem para o setor fechar 2026 em terreno positivo, a conjuntura impõe desafios complexos à atividade fabril no campo.
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