Nesta quarta-feira, 7 de outubro, a cadeia produtiva da cotonicultura brasileira comemora o Dia Mundial do Algodão, data instituída oficialmente pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2021. Para marcar a data, o movimento Sou de Algodão, iniciativa de incentivo ao consumo doméstico idealizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), colocou no ar a campanha nacional "Naturalmente Presente", convidando a sociedade a enxergar a pluma além do conceito de commodity agrícola e reconhecê-la como um elemento essencial do cotidiano, da cultura e do desenvolvimento socioeconômico do país.
O setor celebra o calendário ocupando a liderança no comércio internacional: o Brasil consolidou-se como o maior exportador mundial e o terceiro maior produtor global da fibra. Esse desempenho é alicerçado em uma cadeia totalmente verticalizada e tecnificada, que integra o trabalho agronômico na lavoura, o descaroçamento industrial e o controle laboratorial rigoroso de qualidade por HVI. No mercado interno, a fibra constitui a matéria-prima básica da indústria têxtil nacional, que consome cerca de 720 mil toneladas anuais.
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Outro diferencial agronômico está na sustentabilidade hídrica. Cultivado predominantemente no Cerrado brasileiro sob regime de sequeiro — aproveitando os índices pluviométricos da estação chuvosa sem recorrer à irrigação artificial massiva —, o algodão nacional preserva bacias hidrográficas estratégicas. O modelo é atestado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), protocolo socioambiental criado em 2012 que certificou 79% de toda a produção do país na safra 2024/2025.
O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, destaca o papel transformador da fibra:
"O algodão, e o algodão brasileiro em especial, carrega uma responsabilidade que vai além da lavoura: ele está presente na roupa que vestimos, na renda que geramos no campo e na cidade e na alternativa concreta que oferecemos frente aos impactos ambientais dos tecidos sintéticos. É isso que a campanha Naturalmente Presente celebra em 2026", pontua Portocarrero.
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O posicionamento setorial dialoga diretamente com o movimento "Fim da Linha", articulação deflagrada pela Abrapa e entidades do setor de fibras naturais no último Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). O manifesto denuncia os passivos ecológicos irreversíveis gerados pelos fios derivados de petróleo, responsáveis pela contaminação de rios e oceanos por microplásticos a cada lavagem doméstica.
Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o contraste mercadológico é definitivo:
"Se os sintéticos representam o fim de um ciclo problemático, o algodão representa uma presença natural, renovável e biodegradável na história do brasileiro", ressalta Piccoli.
As celebrações do Dia Mundial abrem ainda a contagem regressiva para os 10 anos de fundação do programa Sou de Algodão, comemorados ao longo deste mês de outubro. A marca confirmou também a realização de seu quinto desfile conceitual na passarela da São Paulo Fashion Week (SPFW), em colaboração com o estilista mineiro Ronaldo Fraga, aproximando a pluma produzida no campo da alta costura sustentável.
