A padronização instrumental e o rigor analítico da pluma brasileira deram mais um passo em direção aos mais exigentes protocolos globais. Durante a última semana de setembro, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promoveu, em sua sede em Brasília (DF), o Workshop de Melhores Práticas em Laboratório de HVI (High Volume Instrument). A capacitação técnica reuniu representantes técnicos dos 14 laboratórios credenciados que integram o Sistema Brasileiro de Referência em HVI (SBRHVI).
O treinamento foi ministrado pelo especialista internacional Axel Drieling, gerente sênior de Algodão do prestigiado Faserinstitut Bremen, da Alemanha, e representante do consórcio global ICA Bremen. O foco das atividades concentrou-se na troca de experiências práticas e no alinhamento com os novos procedimentos laboratoriais internacionais, abordando desde a triagem de contaminantes físicos até a medição e detecção da pegajosidade (stickiness) da fibra, metodologias comparativas de amostragem e consistência estatística no tratamento de dados brutos.
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Segundo o gerente do Programa de Qualidade da Abrapa, Deninson Lima, o encontro anual valida a robustez operacional do sistema de aferição nacional:
"Foi um dia de muita troca de experiências, com a participação de representantes de cada um dos 14 laboratórios que integram o programa. O encontro abre espaço para que os laboratórios esclareçam dúvidas e busquem respaldo para questões técnicas que ainda estão em aberto", detalhou Lima.
O evento marcou ainda o retorno de Drieling ao país quase uma década após atuar como um dos consultores fundadores do SBRHVI, permitindo ao especialista europeu testemunhar a modernização das estruturas e a maturidade operacional alcançada pelo Laboratório Central da entidade.
Testes do ICAC usam fibra brasileira como referência internacional
O encontro técnico apresentou os indicadores consolidados das últimas rodadas de testes interlaboratoriais, que avaliam a precisão, repetibilidade e calibração dos equipamentos de alta precisão em funcionamento no parque laboratorial do país.
Um marco inédito marcou as avaliações deste ano: nas rodadas mundiais de testes interlaboratoriais organizadas pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), foram utilizadas, pela primeira vez no circuito global, amostras de algodão brasileiro cedidas e preparadas pelo Laboratório Central da Abrapa. A iniciativa serviu para confrontar os índices de precisão dos aparelhos e das equipes técnicas nacionais diretamente com os resultados gerados pelos principais centros de análise instrumental do mundo.
A iniciativa da Abrapa consolida a infraestrutura do SBRHVI como ferramenta basilar para garantir que 100% dos fardos comercializados disponham de laudos instrumentais inquestionáveis, reduzindo contestações técnicas e fortalecendo a confiança dos compradores internacionais nas fiações globais.
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