O mercado físico de açúcar cristal mantém trajetória de valorização no estado de São Paulo, sustentado pela oferta restrita e pelos constantes entraves operacionais no campo. De acordo com relatório divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a produção do adoçante permanece limitada em decorrência do ritmo lento da colheita e da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro, reflexo direto do volume contínuo de chuvas que atinge o cinturão sucroenergético.
Pesquisadores da instituição destacam que o quadro de oferta enxuta não apresenta perspectiva de alívio no curto prazo. Mapas meteorológicos indicam novas precipitações para este início de outubro, o que deve provocar novas paralisações nas frentes de corte mecanizado. Consultorias do setor já projetam que uma parcela expressiva da biomassa terá de ser bisada para a safra seguinte, forçando o prolongamento do processamento das usinas até o final de fevereiro ou início de março do próximo ano.
Super El Niño amplia riscos à oferta global de açúcar
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Outro gargalo agronômico e industrial que aperta a oferta do alimento diz respeito à qualidade da matéria-prima colhida. Mesmo com o açúcar remunerando melhor do que o etanol nas tabelas de paridade das usinas, a cana colhida com excesso de umidade apresenta menor concentração de sacarose por tonelada de colmo.
Esse teor reduzido de Açúcar Total Recuperável (ATR) dificulta os processos de cozimento e cristalização do adoçante, mas favorece as etapas fermentativas voltadas aos biocombustíveis. Em consequência, as usinas foram obrigadas a flexibilizar o planejamento operacional, reduzindo o mix açucareiro e destinando maior fração do caldo à destilação de etanol. Esse redirecionamento industrial enxuga ainda mais a disponibilidade física de açúcar cristal para o consumo doméstico nas próximas semanas, mantendo as cotações fortalecidas no balcão de negócios paulista.
