Os trabalhos de colheita da safra nacional de trigo ganham tração no campo, mas o padrão qualitativo das lavouras colhidas vem gerando apreensão e descompasso na indústria moageira. De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o balanço físico do cereal tem decepcionado o mercado brasileiro, principalmente no que diz respeito aos parâmetros reológicos e industriais dos lotes entregues até o momento.
A ocorrência de chuvas frequentes e a persistência de excesso de umidade ao longo do desenvolvimento reprodutivo e da fase final de maturação comprometeram o peso hectolítrico (PH) do grão. Esse quadro climático desfavorável ampliou de forma expressiva o volume de produto classificado como tipos 2 e 3 — mais direcionados para a indústria de ração animal ou misturas de baixa exigência —, reduzindo drasticamente a disponibilidade do cobiçado trigo tipo 1 (trigo pão), que atende às exigências da panificação nacional.
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Diante da retração na oferta de lotes que atendam aos índices mínimos exigidos pelos moinhos, o mercado passou a operar sob forte diferenciação técnica. Pesquisadores do Cepea destacam que os agricultores e cooperativas que detêm volumes expressivos de trigo tipo 1 ganharam poder de barganha e estão elevando as pedidas nas mesas de comercialização, sustentando as cotações nas principais praças do país.
No ritmo das máquinas, a colheita brasileira segue avançando e já cobre praticamente um terço da superfície total semeada nesta temporada de inverno. Dados consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até o dia 25 de setembro, 28,9% da área destinada à cultura no país já havia sido colhida.
O avanço das colhedoras sobre o restante da área no Rio Grande do Sul e no Paraná definirá o tamanho final do déficit de produto nobre e a eventual necessidade de os moinhos intensificarem compras externas nos países vizinhos do Mercosul para abastecer suas linhas de moagem com trigo de alta força de glúten.
