O Brasil encerrou o ano comercial 2025/26 (agosto de 2025 a julho de 2026) atingindo um recorde histórico no comércio global de fibras. Pela primeira vez, o país superou o patamar de 3 milhões de toneladas, exportando 3,37 milhões de toneladas de algodão — salto de 19% frente às 2,84 milhões de toneladas embarcadas no ciclo anterior —, de acordo com o Relatório de Safra da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
As vendas externas geraram US$ 5,3 bilhões em receita, resultando em um superávit comercial da fibra de US$ 5,29 bilhões (avanço de 9% na comparação anual). O desempenho consolida o país como o maior exportador mundial da fibra.
Algodão em pluma opera estável no Brasil apesar de alta em NY
Abrapa e ApexBrasil traçam plano contra tarifas dos EUA
O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, ressalta o significado do marco: "Esse resultado mostra que o Brasil conquistou escala, competitividade e confiança do mercado internacional. Mais do que comemorar um recorde, precisamos olhar para o que ele representa: o país se consolidou como um fornecedor estratégico de algodão para a indústria têxtil mundial."
Em perspectiva de médio prazo, o volume exportado pelo agronegócio brasileiro mais que dobrou em quatro safras, saindo de 1,45 milhão de toneladas em 2022/23 para as atuais 3,37 milhões de toneladas em 2025/26.
China lidera compras e destinos asiáticos ampliam participação
No acumulado dos doze meses, a China manteve a ponta como principal compradora do algodão brasileiro, absorvendo 770,5 mil toneladas (cerca de 23% do volume total) — crescimento de 309,2 mil toneladas em relação ao ano comercial anterior.
Outros mercados asiáticos também apresentaram avanço expressivo, com Bangladesh registrando incremento de 173,2 mil toneladas em compras, enquanto outros parceiros estratégicos como Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia figuraram entre os principais destinos da pluma brasileira, com destaque para a expansão do mercado indiano.
A diversificação dos compradores confere maior sustentação comercial às tradings e cooperativas brasileiras, reduzindo a dependência excessiva de um único polo importador.
USDA projeta manutenção da liderança sobre os Estados Unidos em 2026/27
As projeções mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgadas em agosto de 2026, confirmam que o Brasil seguirá isolado na liderança mundial das exportações na safra 2026/27. A estimativa aponta 3,33 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, superando os Estados Unidos, que devem embarcar 2,68 milhões de toneladas.
Na produção global, o Brasil projeta 3,97 milhões de toneladas para 2026/27, mantendo o posto de terceiro maior produtor mundial, atrás de China e Índia. Para a Abrapa, sustentar a liderança global nos próximos ciclos exigirá foco contínuo em sustentabilidade, certificação socioambiental, rastreabilidade fardo a fardo e relacionamento estreito com a indústria têxtil internacional.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
