Os contratos futuros da soja operam em terreno negativo no intervalo da manhã desta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), registrando perdas de 7 pontos no contrato de novembro, cotado a US$ 13,18 por bushel, de acordo com levantamento de mercado da Granoeste Corretora. O recuo dá sequência ao fechamento da sessão anterior, que já havia registrado desvalorização comedida entre 2 e 3 centavos nos vencimentos mais curtos.
Apesar da baixa pontual, as cotações internacionais continuam sustentadas nos melhores patamares observados desde o encerramento de 2023, mesmo com o avanço dos trabalhos de campo nos Estados Unidos, onde a colheita alcançou 12% da área semeada no início da semana — superando os 8% registrados em período idêntico do ano passado. O suporte aos preços reflete o apetite especulativo dos fundos de investimentos, que mantêm volumosas posições compradas à espera do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, agendado para esta quinta-feira em Washington. Conforme alerta a consultoria, uma ausência de avanços na redução da tarifa chinesa de 10% sobre a soja norte-americana ou na ampliação dos acordos comerciais pode desencadear uma liquidação em massa por parte desses fundos.
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Paralelamente, o farelo de soja tem acumulado valorizações expressivas no mercado exterior, impulsionado pelo fluxo recorde de embarques norte-americanos. A corrida pelo derivado dos Estados Unidos vincula-se ao enrijecimento das exigências da legislação antidesmatamento da União Europeia. Como o sistema regulatório europeu enquadra o Brasil e a Argentina sob a classificação de risco médio de desmatamento — enquanto os Estados Unidos foram alçados ao status de risco baixo —, tradings e importadores europeus têm priorizado o farelo norte-americano para afastar passivos regulatórios.
Entressafra disputa grão no balcão e exportações miram recorde
No cenário doméstico, a Granoeste Corretora aponta que o mercado físico opera sob forte sustentação, marcado pela escassez de lotes colocados à venda. A atenção do produtor rural brasileiro está quase inteiramente voltada às lavouras, com os trabalhos iniciais de plantio da nova safra evoluindo gradativamente em percentuais estimados entre 1% e 2% da área total.
Diante da retração na ponta vendedora e da aproximação da entressafra, as indústrias esmagadoras nacionais atuam de forma mais agressiva no balcão, apresentando ofertas de compra que, em diversos polos, superam a paridade internacional de exportação para assegurar o abastecimento fabril. A disputa pelo produto disponível mantém os prêmios portuários valorizados, com referências no mercado spot variando entre 135 e 150 pontos sobre Chicago, enquanto as posições de novembro e dezembro trabalham nas faixas de 130 a 145 e 135 a 145 pontos, respectivamente.
No fluxo de escoamento marítimo, as estimativas da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) indicam que o país deve exportar 8,0 milhões de toneladas da oleaginosa em setembro, acima das 7,4 milhões de toneladas despachadas no mesmo mês de 2025. Com a consolidação deste volume, o acumulado de exportações na temporada atingirá 99,0 milhões de toneladas, contra 92,7 milhões apuradas no ciclo anterior.
No interior do país, as cotações refletem essa liquidez restrita. As indicações de compra no oeste do Paraná circulam entre R$ 152,00 e R$ 155,00 por saca, enquanto no Porto de Paranaguá os preços trabalham entre R$ 162,00 e R$ 164,00, dependendo do prazo de pagamento estipulado, além da data e do local de carregamento nos armazéns.
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