Primeira estimativa da safra 2025/26 no Paraná aponta alta para soja e milho, enquanto feijão e hortaliças registram queda na produção
A primeira Previsão Subjetiva de Safra para o ciclo 2025/26, divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), aponta expansão na área e produção de soja. O plantio deve atingir 5,79 milhões de hectares, alta de 0,6% frente ao ciclo anterior. Esse avanço ocorre principalmente sobre áreas de pastagens e, em menor medida, sobre áreas que antes recebiam feijão.
A soja segue como principal cultura do Estado, já que a primeira safra responde por mais de 90% do cultivo de grãos. A produção pode alcançar 22,05 milhões de toneladas, aumento de 4,23% em relação ao ciclo passado. O analista Edmar Gervásio ressalta que o desempenho ainda pode variar conforme o desenvolvimento da safra.
O vazio sanitário da ferrugem asiática termina no início de setembro, e o plantio será liberado em diferentes datas. Na Região 2 (Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste), a emersão de plantas será permitida a partir de 1º de setembro. Na Região 3, o plantio começa em 11 de setembro e vai até 10 de janeiro de 2026. Já na Região 1 (Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral), o início ocorre em 20 de setembro, com encerramento em 20 de janeiro de 2026.
A primeira safra de milho deve alcançar 3,22 milhões de toneladas, aumento de 5,5% sobre o ciclo anterior. A área também cresce 12,1%, chegando a 315 mil hectares. Segundo Gervásio, essa retomada é expressiva, já que o milho vinha perdendo espaço desde 2010. O plantio deve avançar de forma mais intensa nas próximas semanas.
O feijão de primeira safra deve ocupar 111 mil hectares, retração de 34% frente ao ciclo anterior. A cultura perdeu espaço para soja e milho, mas ainda se mantém dentro do padrão histórico. A produção prevista é de 218 mil toneladas, com média de 2 mil quilos por hectare. Apesar disso, o volume ficará abaixo das 337,6 mil toneladas registradas no ciclo passado.
Entre as hortaliças, os números também indicam queda. O plantio da batata já começou e representa 9% da área projetada de 16,3 mil hectares. A produção deve alcançar 517,1 mil toneladas, queda de 11%. O tomate, que já tem 12% da área cultivada, deve chegar a 174,7 mil toneladas. No entanto, a segunda safra deve encolher 16% em relação ao ano anterior. A cebola, com 95% da área já plantada, terá produção de 108 mil toneladas, 15% a menos que no ciclo passado.
Algumas culturas devem crescer. A cana-de-açúcar avança de 504,9 mil para 511,5 mil hectares e deve gerar 39,1 milhões de toneladas, alta de 6%. Já a mandioca aumenta sua área em 7%, alcançando 85,3 mil hectares, com produção prevista de 217,5 mil toneladas, crescimento de 11%.
O Boletim de Conjuntura Agropecuária também traz outros destaques. Os preços pagos pela carne ovina caíram 0,59% em julho, com o quilo do cordeiro vivo negociado a R$ 14,30, contra R$ 15,10 em junho. Já os suínos de corte avançaram e se tornaram o quinto produto mais importante do agro paranaense em 2024, movimentando R$ 8,82 bilhões em Valor Bruto de Produção (VBP), alta de 4,3% frente a 2023.
Além disso, o Paraná conquistou a terceira posição nas exportações nacionais de mel entre janeiro e julho de 2025. O Estado embarcou 4.637 toneladas, que renderam US$ 15,2 milhões, quase três vezes mais que no mesmo período do ano anterior.