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Integração de peixes aumenta produtividade na Amazônia

Estudo da Embrapa aponta que criação conjunta de tambaqui e curimba eleva a produção, reduz impactos ambientais e reforça a sustentabilidade da piscicultura no bioma amazônico

Integração de peixes aumenta produtividade na Amazônia

Sistema integrado de criação de tambaqui e curimba, avaliado pela Embrapa, aumenta a produtividade e reduz impactos ambientais na piscicultura amazônica. Foto: Embrapa / Divulgação

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Foto do autor Redação RuralNews
10/01/2026 |

Um levantamento da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) mostra que a criação integrada de tambaqui (Colossoma macropomum) com curimba (Prochilodus lineatus) aumenta a produtividade e reduz impactos ambientais na piscicultura amazônica. Segundo o estudo, o sistema integrado é 25% mais produtivo do que o cultivo exclusivo de tambaqui.

A pesquisa foi publicada na revista Aquaculture e analisou os impactos ambientais da aquicultura multitrófica integrada (AMTI). O trabalho comparou esse modelo com a monocultura de tambaqui em viveiros escavados, por meio da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

A AMTI segue um modelo ecológico de produção. O sistema cultiva diferentes espécies no mesmo ambiente e simula o funcionamento de ecossistemas naturais. Com isso, promove a reciclagem de nutrientes, reduz resíduos, melhora a eficiência produtiva e gera mais valor por área, alinhando-se aos princípios da economia circular.

Menor uso de terra e menor impacto ambiental

Os resultados também compararam a piscicultura a outras atividades agropecuárias. Para produzir 1 kg de proteína, a pecuária bovina demanda 434,88% mais área do que a criação de tambaqui. Já a avicultura necessita de 48,84% a mais de terra, enquanto a suinocultura exige 72,09% adicionais.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Adriana Ferreira Lima, os dados reforçam o potencial da aquicultura como alternativa sustentável no bioma amazônico. “A piscicultura pode reduzir a pressão por abertura de novas áreas para a agropecuária, além de apresentar menor impacto ambiental”, destaca.

O estudo confirma conclusões de uma pesquisa publicada pela revista Nature Sustainability, que apontou vantagens da criação de peixes na Amazônia em comparação à pecuária bovina. O trabalho envolveu pesquisadores brasileiros e norte-americanos.

Além da menor demanda por terra, a piscicultura apresenta baixa emissão de gases de efeito estufa. “A atividade influencia pouco na liberação desses gases e se mostra uma solução eficiente para a produção sustentável de proteína”, afirma Lima.

Pesquisa traz segurança técnica ao produtor

A pesquisa traz informações inéditas sobre o cultivo integrado de tambaqui e curimba, prática que já começa a ser adotada por alguns produtores. Antes, a curimba era vista apenas como auxiliar na melhoria da qualidade da água, por se alimentar no fundo dos viveiros.

Segundo a pesquisadora, em países como China e Índia, a integração de espécies é comum. No Brasil, porém, a adoção ainda é limitada pela falta de dados técnicos. “O estudo esclarece dúvidas importantes, como o impacto da curimba no crescimento do tambaqui, a necessidade de mais ração e a proporção ideal entre as espécies”, explica.

Os resultados mostram que a curimba se desenvolve com a mesma quantidade de ração usada no monocultivo do tambaqui. Além disso, não prejudica o crescimento do peixe amazônico. Ao contrário, o sistema integrado gerou 25% mais proteína por hectare, aumentando o retorno econômico ao produtor.

Ganho produtivo e manejo simplificado

O manejo do sistema integrado é semelhante ao do monocultivo, desde que os alevinos tenham tamanho equivalente. Com a mesma oferta de ração, ambas as espécies se desenvolvem de forma equilibrada, sem competição.

Na pesquisa, a proporção utilizada foi de cerca de 50% de cada espécie. Nesse cenário, a curimba atingiu aproximadamente 200 gramas, enquanto o tambaqui chegou a 1,8 kg, peso padrão de comercialização em estados da Região Norte.

Para pequenos produtores, a diferença no tempo de crescimento não compromete a viabilidade do sistema. É possível realizar a despesca do tambaqui primeiro e aguardar o ganho de peso da curimba até o ponto de comercialização.

Integração reduz impactos ambientais

O estudo também comprovou a redução de impactos ambientais com o cultivo integrado. No monocultivo do tambaqui, a emissão chega a 4,27 kg de CO₂ por quilo de peixe produzido. No sistema integrado, esse índice cai para 3,9 kg.

Além disso, a integração promove redução de 17% no uso da terra, 38,57% na dependência de água e 13,3% na demanda de energia. Também há queda nos índices de acidificação, eutrofização da água doce e impacto climático.

A melhora na conversão alimentar e na recuperação de nutrientes explica parte desses resultados. “Os dados reforçam a AMTI como uma alternativa mais sustentável à monocultura tradicional do tambaqui”, conclui a pesquisadora.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Integração # Peixes
# Produtividade # Amazônia # Tambaqui # Produção
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