Exportações do agro gaúcho encolhem 4,1% em 2025
Estiagem reduz oferta de soja e pressiona desempenho externo do Rio Grande do Sul
Exportações do agronegócio gaúcho recuaram em 2025, refletindo os impactos da estiagem e das mudanças no cenário do comércio internacional. Foto: Canva
As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul recuaram em 2025. No acumulado do ano, o valor embarcado somou US$ 15 bilhões, queda de 4,1% em relação a 2024.
Segundo dados divulgados pela Farsul, a retração reflete, principalmente, a menor oferta de soja em grão. A estiagem comprometeu a safra e reduziu a disponibilidade do principal produto da pauta exportadora estadual.
Desempenho de dezembro confirma cenário adverso
Em dezembro de 2025, o estado exportou US$ 1,44 bilhão em produtos do agronegócio. O valor representa queda de 4,3% frente ao mesmo mês de 2024. Já o volume embarcado recuou 5,5%, para 2,19 milhões de toneladas.
No período, o agronegócio respondeu por 72% do valor exportado pelo Rio Grande do Sul e por 89% do volume total. Ainda assim, o resultado mensal reforçou os efeitos da quebra de safra sobre o comércio exterior.
Soja lidera perdas ao longo do ano
A soja concentrou as maiores perdas em 2025. A volatilidade dos embarques já ficou evidente em maio, quando os efeitos da estiagem começaram a aparecer com mais força.
Mesmo com recuperação pontual nas exportações para a China em agosto, o cenário pouco mudou ao longo do ano. A menor oferta limitou o desempenho do produto, que tradicionalmente sustenta os resultados do agro gaúcho.
Proteínas enfrentam desafios e ajustes
A carne de frango atravessou um período difícil, marcado por restrições sanitárias e entraves logísticos. Em maio, a suspensão das vendas para a China, devido à doença de Newcastle, afetou o setor. Além disso, a gripe aviária reduziu embarques para o Oriente Médio.
No segundo semestre, contudo, o setor iniciou recuperação. As exportações cresceram para Emirados Árabes Unidos, Japão e Filipinas. Apesar de atrasos portuários em novembro, dezembro registrou melhora nos mercados do Oriente Médio e da Europa.
Suínos e bovinos sustentam parte do desempenho
As Filipinas se consolidaram como principal destino da carne suína gaúcha. Em outubro, o país respondeu por cerca de 50% do valor e do volume exportado da proteína, compensando a queda nas vendas para a China.
Já a carne bovina atuou como um dos pilares do setor em 2025. A China liderou as compras, enquanto Filipinas e Reino Unido ampliaram participação. Apesar do impacto das tarifas dos Estados Unidos, México e Canadá ajudaram a mitigar perdas. Em dezembro, o produto registrou alta expressiva, com avanço de 131% em valor e 108% em volume.
Arroz e fumo apresentam comportamento distinto
O arroz encerrou 2025 com saldo positivo na balança comercial. O estado exportou 1,586 milhão de toneladas do grão no ano. Em dezembro, o volume embarcado cresceu 89%, apesar das oscilações na oferta ao longo do período.
O fumo, por sua vez, enfrentou forte volatilidade. No terceiro trimestre, as exportações caíram para alguns países europeus. Em novembro, as vendas para o Egito foram zeradas, gerando impacto de US$ 107 milhões. Ainda assim, a demanda europeia ajudou a reduzir perdas, e dezembro apresentou recuperação.
Tarifas dos EUA e destinos das exportações
A guerra comercial com os Estados Unidos também afetou o desempenho gaúcho. Na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o valor exportado caiu 30%, mesmo com aumento de 29% no volume, o que indica compressão de margens.
Em dezembro, a Ásia, excluído o Oriente Médio, permaneceu como principal destino das exportações do agro gaúcho, com US$ 763 milhões e 1,23 milhão de toneladas. A Europa ficou em segundo lugar, com US$ 286 milhões, seguida pela África, com US$ 99 milhões.
Entre os países, a China liderou, com US$ 448 milhões e participação de 31% no valor exportado. Na sequência apareceram Bélgica, Países Baixos, Bangladesh, Vietnã e Filipinas.
